Polícia

Policiais femininas também são vítimas de violência doméstica e preconceito

Publicado em 08/03/2017, às 18h59   Tony Silva



Compondo a Polícia Militar da Bahia (PMBA) desde 1990, atualmente 4.700 mulheres integram a PMBA. As policiais femininas militares estão em posições que vão desde soldados até a frente de Companhias Independentes, Companhias Especializadas, da própria Ronda Maria da Penha, além de boa parte das Bases Comunitárias de Segurança do Estado, que das 12, oito são comandadas por elas. Apesar destes avanços, a violência doméstica, assédio e o preconceito ainda são grandes desafios da PM feminina.

Ao longo dos 27 anos na instituição tradicionalmente formada por homens, as mulheres vêm conquistando respeito e espaço na corporação. Até 1994, quando foi formada a primeira turma de oficiais femininas, as mulheres só chegavam a patente de sargento. Apesar dessas conquistas, o machismo, o preconceito, o assédio e a violência, ainda são uma realidade na vida das policiais femininas.

Segundo a capitã Edilânia Aguiar, coordenadora do Centro Maria Felipa de Atenção à Mulher Policial Militar, que integra o Departamento de Promoção Social da PM, o maior número de atendimentos no centro se refere à violência doméstica, em que as vítimas são mulheres de policiais e policiais femininas.

Capitã Edilânia Aguiar, que trabalha no centro com a valorização da mulher dentro da guarda, destacou os avanços no respeito à mulher policial, mas pontuou os problemas ainda enfrentados por elas. “Estamos dando passos largos. Só o fato de abrir as portas de uma instituição, que era vista somente para homens, já é um avanço. O assédio existe desde hora que a gente sai de casa até quando chegamos ao trabalho. Ainda existe a cultura que de a mulher é submissa ao homem, mesmo sendo policial. Muitos se sentem no direito de assediar as mulheres. O fato de ser PM não nos livra de assédio e nem mesmo da violência”, avalia.  

A coordenação do Centro Maria Felipa também informou que os números de agressões domésticas a policiais femininas não são significativos, ao mesmo tempo em que muitas mulheres agredidas não denunciam e no caso de PMs femininas essa omissão aumenta. “O grande problema dessa contabilidade é que a maioria não registra a violência. As mulheres só registram quando não há mais opção e estão desesperadas. O fato de uma mulher policial militar ser agredida em casa é mais complicado porque não é o esperado pelas pessoas. Com isso, ela se sente envergonhada em denunciar ou confusa”, explica.

Campanha de conscientização

No ano passado, o Centro Maria Felipa de Atenção à Mulher Policial Militar realizou uma campanha com o objetivo de sensibilizar as policiais femininas e os policiais masculinos, no sentido de acolher as PMS que sofressem a violência doméstica, além de incentivar as vítimas a denunciar e informar que a corporação tem um setor para acolhê-las. As mulheres policiais também são acolhidas pelo Departamento de Promoção Social.

O Comando Geral destaca o perfil da Policial Feminina

Segundo o comando geral da Polícia Militar, a mulher deu mais leveza à atividade da corporação e trouxe muitos outros benefícios, que estão associados ao perfil feminino. A PM destaca também que a corporação ganhou em proximidade, carinho e atenção à população atendida. Ainda conforme a PM, internamente a corporação também ganhou com a inserção das mulheres, pois a mulher policial também acolhe de uma maneira especial os demais colegas e ameniza o relacionamento interpessoal.

Em nota, o Departamento de Comunicação Social (DCS) destacou que a PMBA enaltece a presença feminina nesses 27 anos e deseja que cada vez mais elas ocupem os espaços de destaque no cenário social.

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