Polícia

Aumento da violência na BA tem relação com liberação de presos e acesso às armas, diz comandante-geral

Vagner Souza / Bnews

Em 2020, a Bahia apresentou uma das maiores taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes

Publicado em 17/09/2021, às 09h00    Vagner Souza / Bnews    Nilson Marinho

O estado da Bahia, sobretudo a capital baiana, passa por uma escalada de crimes. Em Salvador, a violência se concentra em comunidades que são dominadas pelo tráfico de drogas, mas também chega aos pontos turísticos. No interior, os ataques às instituições financeiras chamam atenção.

De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar da Bahia (PMBA), coronel Paulo Coutinho, o aumento dos casos de violência tem relação com dois fatores: o acesso de civis às armas de fogo e a liberação de detentos do sistema prisional. A declaração foi dada nesta sexta-feira (17), durante sua participação no programa do apresentador José Eduardo, da Rádio Metrópoles.

“Existe hoje na sociedade brasileira uma naturalização das agressões e com inúmeras variáveis, desde dos baixos índices educacionais, altos índices de desempregos, violência doméstica e o impacto da saúde mental, mas algo que nos impressiona é o excesso de liberação no sistema prisional, só para termos uma ideia, até março de 2021, tínhamos 4 mil pessoas liberadas [...] Além do fato, de que há muito mais armas de fogo nas mãos dos civis”.

Em 2020, a Bahia apresentou, junto com o Ceará,  as maiores taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes do Brasil ao longo daquele ano. Também em 2020, pelo quarto ano consecutivo, o estado manteve o maior número de vítimas de homicídios, segundo dados do Atlas da Violência.

PMs

O aumento desses indíces alcançou os órgãos de segurança. Nas últimas semanas, três policiais baianos morreram, dois deles enquanto estavam fardados em atividade. Os casos aconteceram em Cosme de Farias, em Salvador, e em Porto Seguro, no sul do estado. O outro militar baiano morreu em Petrolina (PE) após ser baleado por colegas de farda que o confundiram com um criminoso. 

Em apenas nove meses deste ano, o número de policiais mortos na Bahia já é maior do que o total registrado no ano passado. Até o momento, 17 militares morreram, sendo 8 de serviço, 5 de folga e 4 da reserva. No ano de 2020, 13 policiais foram mortos, sendo 1 de serviço e 12 de folga.

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