Polícia

Caso Davi Fiúza: Mãe de menino desaparecido após abordagem em Salvador cobra respostas antes de audiência: 'Não enterrei meu filho'

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Davi Fiúza desapareceu em 2014, no bairro de São Cristóvão  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Lucas Pacheco/BNews


Quase 12 anos. Esse é o tempo que a família de Davi Fiúza, desaparecido após uma abordagem policial no bairro de São Cristóvão, em Salvador, espera por respostas. Nesta segunda-feira (25), acontece mais uma audiência de instrução do caso, e a mãe do jovem, Ruth Fiúza, volta a cobrar a Justiça ao relatar uma rotina marcada pela dor e pela sensação de impunidade.

Davi tinha 16 anos quando desapareceu, no dia 24 de outubro de 2014, após uma abordagem policial no bairro de São Cristóvão. De acordo com testemunhas, ele foi colocado em um veículo sem identificação e nunca mais foi visto.

Segundo relatos da família, o adolescente teria sido encapuzado com a própria roupa por policiais do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) e da Rondesp. Ainda conforme a denúncia, Davi teve mãos e pés amarrados antes de ser colocado no porta-malas de um dos carros.

Em entrevista ao BNews, a mãe de Davi, Ruth Fiúza, afirmou que a demora no andamento do processo reforça a sensação de impunidade.

"Já é a quarta audiência de instrução e somente quase 12 anos depois começam a acontecer as audiências. A sensação que eu tenho é que isso acontece de forma proposital para cair no esquecimento das pessoas", disse.

A mulher também desabafou sobre a dor de nunca ter conseguido encontrar o corpo do filho. "A única coisa que eu desejo de verdade é poder dar um funeral digno ao meu filho. As pessoas enterram os seus mortos. Eu não enterrei o meu. Eu não sei onde está o meu morto", disse.

Inicialmente, o inquérito policial indiciou os 17 militares que participaram da abordagem. No entanto, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ofereceu denúncia contra sete deles, por sequestro e cárcere privado, em 2018.

"O Estado se protege, ele se autoprotege. Levar policiais militares para serem julgados pelo próprio Estado e esperar que haja justiça é meio paradoxal para mim. Mas eu tenho encontrado muitas força, muita força nas pessoas, nos movimentos sociais, nos amigos e no meu filho. Ele tem me dado muita força para que eu continue a lutar, porque foi injusto", desabafou.

De acordo com Ruth, nunca houve uma explicação oficial do que aconteceu no momento da abordagem. No entanto, segundo ela, o inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) reuniu provas consideradas importantes para a investigação, incluindo registros de GPS de viaturas.

"Um fato contraditório agora é que a principal testemunha nega tudo o que ela confirmou durante 11 anos. Ela reconheceu os policiais, ela reconheceu o momento, ela reconheceu tudo. Então a gente entende também que ela também tá sendo coagida, que quer voltar a ter uma vida normal. E é muito complicado quando a prinipal testemunha muda e não reconhece mais os policiais. Mas as provas estão aí. Eu espero que ela hoje consiga tirar a venda dos olhos", finalizou.

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