Polícia
por Claudia Cardozo e Adelia Felix
Publicado em 20/03/2026, às 09h43 - Atualizado às 10h42
A investigação sobre a morte da adolescente Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos, começa a ganhar contornos mais claros, e, ao mesmo tempo, mais chocantes. A Polícia Civil da Bahia já trabalha com uma linha definida: o crime pode ter sido encomendado e executado com a participação de mais de uma pessoa.
Nesta sexta-feira (20), novas diligências, prisões e um desdobramento judicial importante colocam nomes no centro do caso.
Mandante preso e motivação: vingança
No topo da linha investigativa está Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, apontado como o possível mandante do crime. Preso desde fevereiro no Conjunto Penal da Mata Escura, ele teria ordenado a morte da adolescente após acreditar que Thamiris foi responsável por denunciá-lo à polícia por agressão contra a companheira.
A motivação, segundo a polícia, seria vingança. Mesmo já custodiado, Davi passou a ser alvo de um novo mandado de prisão preventiva relacionado diretamente ao homicídio.
Segundo o delegado Moisés Damasceno, do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), ainda não há confirmação de que Thamiris tenha sido a responsável por denunciar Davi de Jesus Ferreira por violência doméstica. A suspeita surgiu no curso da investigação, mas, até o momento, não há elementos concretos que sustentem essa ligação.
"No último dia 12, Thamiris estava saindo da escola quando foi chamada por pessoas envolvidas com o crime na região para conversar. Nesse local, teriam verificado o celular dela e chegaram a conclusão de que ela tinha participação [denúncia contra Davi], mas não sabemos ao certo por quais motivos", explicou o delegado.
A polícia já pediu para Justiça a quebra do sigilo telefônico da adolescente. A análise do conteúdo pode ajudar a esclarecer se há, de fato, alguma relação entre a jovem e a denúncia.
Vizinho da vítima: o homem que teria atraído a adolescente
Outro nome central nas investigações é o de Rodrigo Faria Sena dos Santos, de 37 anos. Preso na quinta-feira (19), ele é apontado como peça-chave na execução da adolescente. Segundo os investigadores, Rodrigo teria sido o responsável por atrair a adolescente até o local onde ela foi morta.
O detalhe que mais revolta moradores: ele vivia no mesmo terreno que a família da vítima e conhecia Thamiris há mais de uma década. Além disso, chegou a participar das manifestações que exigiam das autoridades respostas pelo desaparecimento da menina. Após a prisão, a casa onde ele morava foi depredada por populares.
Novo desdobramento: audiência de custódia marcada
Preso por por homicídio qualificado, Rodrigo passa por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira (20). Na audiência, a Justiça avalia a legalidade da prisão e decide se o suspeito permanece detido.
Buscas, sangue e celulares: o que a polícia encontrou
Na manhã desta sexta-feira (20), equipes da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica intensificaram as buscas em Itinga, em Lauro de Freitas. Foram cumpridos mandados em três imóveis e em um trecho da Rua Antônio das Neves.
Durante as diligências, os investigadores encontraram:
O material pode ajudar a reconstruir a dinâmica do assassinato.
O corpo e as dúvidas que ainda cercam o caso
Um corpo com características semelhantes às de Thamiris foi encontrado na quinta-feira (19), em um matagal na região de Cassange, na capital baiana. A vítima estava nua e com pertences próximos, farda escolar, relógio e sapato.
Apesar dos indícios, a identificação oficial ainda depende de exames do Instituto Médico Legal, devido ao estado avançado de decomposição.
Outro ponto que segue em aberto é o local onde o crime ocorreu. A forma como o corpo foi encontrado levanta dúvidas entre os investigadores. "Pelas características que o corpo foi encontrado, com as roupas e relógio dentro de uma sacola, a gente acredita que o corpo tenha sido de algum lugar e colocado lá, para a polícia achar", afirmou Damasceno.
Linha do tempo: do desaparecimento ao crime
A principal hipótese é de que a adolescente tenha sido morta no mesmo dia em que desapareceu.
Acusação falsa e revolta: o caso do rodoviário
Em meio à comoção, um erro grave marcou o caso. O rodoviário André Eduardo, vizinho da vítima, chegou a ser apontado como suspeito após a divulgação de imagens e interações em redes sociais.
A Polícia Civil descartou completamente o envolvimento dele. Mesmo assim, o homem teve a casa apedrejada, sofreu ameaças e desapareceu após a repercussão.
"Olha, o rodoviário não cabe nessa linha de raciocínio de investigação. [...] Ela só passou na casa dele, não entrou e seguiu direto. As câmeras foram verificadas por um período bem longo e ela não voltou para a casa dele. Ela foi para o outro lado, então não sei porque estão associando esse rodoviário ao crime. A gente acredita que ela passou na casa do rodoviário, de repente, para pedir ajuda ou para comunicar para onde estava indo, porque era uma pessoa conhecida da família. É só uma suposição. Então, dentro dessa linha de raciocínio, não cabe o rodoviário. [...] Durante o processo a gente ouve todo mundo, como ela realmente passou lá então era necessário ouvir o rodoviário, mas não sob o aspecto de investigado. Nessa linha de raciocínio, não cabe a presença do rodoviário", disse o delegado.
Investigação segue aberta
A Polícia Civil afirma que as diligências continuam e que o objetivo agora é fechar o quebra-cabeça do crime, identificando todos os envolvidos e a dinâmica exata da execução.
A linha principal já está traçada: um possível mandante, um executor que atraiu a vítima e outros participantes ainda sob investigação.
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