Polícia
Uma vida de luxo, mansões, carros importados, viagens internacionais e constantes mudanças de endereço teria servido para esconder um gigantesco esquema clandestino de produção e venda de anabolizantes. Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya”, é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como líder de uma das maiores redes ilegais dessas substâncias no país.
Segundo as investigações, Jiraiya teria criado um “império das bombas”, com laboratórios clandestinos no Distrito Federal, São Paulo, Paraíba, Foz do Iguaçu (PR) e Paraguai. O esquema teria gerado cerca de R$ 500 mil líquidos por mês.
Para dificultar a ação policial, Jiraiya mudava constantemente de endereço e alugava mansões de alto padrão para instalar laboratórios clandestinos. Ele coordenava a operação, enquanto funcionários produziam os anabolizantes e terceiros, como motoboys e serviços de entrega, faziam a distribuição.
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A produção ocorria, segundo a investigação, em condições precárias e sem controle sanitário. Insumos clandestinos eram misturados a diferentes tipos de óleo para aumentar o volume e os lucros. Parte da matéria-prima vinha da Índia, China e Paraguai e era transportada clandestinamente, inclusive escondida em peças de motocicletas para driblar a fiscalização na fronteira.
Os produtos eram anunciados e comercializados pelas redes sociais, incluindo perfis no Instagram ligados ao grupo. A organização também teria se aproximado do fisiculturismo, patrocinando atletas e mantendo contato com profissionais que, segundo a polícia, ajudavam na divulgação ou intermediação das vendas.
Operação Narciso
Jiraiya foi preso pela PCDF em 12 de agosto, no Paraguai, durante a Operação Narciso, que investigou uma rede de produção, distribuição e venda clandestina de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e outras substâncias.
A operação cumpriu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros. A ofensiva alcançou oito estados e o Distrito Federal, com apreensão de veículos de luxo, fechamento de estabelecimentos e retirada de sites de venda do ar.
A investigação continua para identificar outros integrantes e dimensionar o alcance da organização, que, segundo os investigadores, combinava dinheiro, ostentação, redes sociais e logística internacional para abastecer o mercado clandestino de anabolizantes no Brasil.
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