Polícia
por Matheus Simoni
Publicado em 10/07/2026, às 11h21 - Atualizado às 11h30
O ortopedista Alexandre El-Sarli, de 49 anos, preso na última terça-feira (7) após ser acusado de importunar sexualmente uma paciente de 18 anos durante uma consulta na Unidade de Emergência de Pirajá, em Salvador, nega que tenha cometido qualquer crime contra a jovem. Ele foi solto na última quinta-feira (9), após audiência de custódia realizada na 3ª Vara das Garantias da capital baiana. O médico responderá ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares alternativas à prisão.
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Em depoimento à Polícia Civil, obtido pelo BNews, Alexandre nega ter feito qualquer tipo de ato contra a jovem. Ao receber a paciente no consultório, ele conta que a moça, que trabalha como recepcionista, relatou ter dores no ombro e que suspeitou de hérnia cervical e escoliose, ocasião em que a vítima confirmou que sentia dores na região cervical.
Segundo o depoimento, o ortopedista declarou que "se preocupou em realizar uma avaliação completa em razão da dor irradiada decorrente da lesão na mão; que pediu para a vítima realizar o teste de Adams, principal teste utilizado para avaliação de escoliose".
O teste consiste em se curvar para frente, apoiando as mãos nos joelhos. Alexandre contou que pediu apenas para a vítima retirar o casaco, "não tendo solicitado que retirasse a blusa". Ele narrou à delegacia que a vítima retirou o próprio casaco, "não sendo necessário que ficasse nua ou mostrasse os seios; que em nenhum momento trancou a porta do consultório, tendo apenas fechado a porta durante o atendimento, em razão do intenso barulho existente na unidade, a fim de possibilitar melhor comunicação com a paciente".
Em seu depoimento Alexandre disse que "apenas orientou a vítima a colocar as mãos um pouco mais abaixo dos joelhos para possibilitar melhor visualização da escoliose; que não encostou suas partes íntimas na vítima; que não tocou os seios da vítima em momento algum".
A fala do médico contradiz o que foi narrado pela vítima. A jovem de 18 anos conta que o médico teria tirado a roupa dela, deixando os seios à mostra. Após um exame na coluna, Alexandre teria dito que a mulher deveria afrouxar a calça e se curvasse para a frente. Foi neste momento que ele teria aberto o zíper da calça dela e puxado a moça até ele pela cintura. O médico teria ficado excitado com a situação, o que deixou a mulher assustada, o que a motivou acionar a polícia no caso.
Após deixar o consultório, ela procurou policiais militares da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), que estavam nas proximidades da unidade, e denunciou o caso. O médico foi preso em flagrante e foi encaminhado, junto com a vítima, para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Periperi. O caso foi registrado como importunação sexual. Na delegacia, Alexandre ainda disse que é pai de uma mulher de 26 anos.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), responsável pela unidade de saúde, informou que afastou o médico das funções e instaurou uma sindicância para apurar a denúncia. A pasta afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis, caso a prática do crime seja comprovada, respeitando o devido processo legal.
Caso anterior
Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), um boletim de ocorrência contra o médico já tinha sido registrado em 2021. Na ocasião, uma vítima, paciente da UPA dos Barris, afirmou que Alexandre teria a atendido por conta de dores no pé. Durante o exame de raio-x, a vítima teria sido apalpada nas nádegas e na vagina pelo médico no momento em que tirou as roupas para ser examinada.
O órgão chegou a pedir à Justiça que o médico seguisse preso após registro do caso desta semana. No entanto, a 3ª Vara das Garantias de Salvador determinou que o ortopedista siga em liberdade.
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