Polícia
por Camila Sales
Publicado em 06/07/2026, às 09h35 - Atualizado às 10h45
A morte de Maria Eduarda durante um salto na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, após ser lançada sem corda de segurança, teve o inquérito policial encerrado nesta semana, com a prisão de quatro suspeitos e apontamento de falhas graves e possível negligência na atividade. A investigação também indicou que um acidente semelhante já havia ocorrido em março, envolvendo um menino de nove anos.
No primeiro acidente, um vídeo dos preparativos mostra o menino posando ao lado de uma outra criança, de sete anos. Luis Gustavo, integrante da equipe que realizou o salto junto com o garoto, descreveu o instante em que a queda aconteceu:
"O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o 'uhu', que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal. Eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele e, aí, quando eu olhei para o lado, ele estava no chão", diz Gustavo.
O pai do menino que trabalhava no grupo e acompanhou o salto prestou depoimento à polícia como testemunha.
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Com a conclusão das investigações sobre o falecimento de Maria Eduarda, ocorrido em 13 de junho após ela não resistir aos ferimentos mesmo recebendo socorro, quatro envolvidos foram acusados de homicídio com dolo eventual, situação na qual se assume o risco do resultado morte.
Entre os indiciados estão Evelyne dos Santos, identificada como a líder do grupo, além de Luis Felipe Egoroff, Maicon Cintra e Vitor de Freitas, que foram flagrados em registros de vídeo lançando a vítima da plataforma.
As duas pessoas presas inicialmente tiveram soltura e a investigação tornou a pontuar haver padrão na tentativa de ocultação de provas nos dois casos.
Luis Gustavo admitiu que a organizadora ordenou diretamente a coleta do equipamento de gravação:
"Ela disse: 'Gustavinho, precisamos da câmera para apagar o vídeo'".
Devido a essa conduta, que também ocorreu com o acidente de março, Evelyne responderá por fraude processual, embora sua defesa discorde da acusação.
Sobre a falha no salto da jovem, Maicon e Luiz Felipe confessaram que deveriam ter conferido a fixação da corda, mas não souberam justificar a omissão. Seus advogados alegam crime culposo, enquanto a defesa de Vitor de Freitas contesta a classificação de dolo eventual.
O relatório policial apontou que a operação era marcada por "desorganização operacional significativa", citando a falta de isolamento e o excesso de saltos em curto tempo como fatores que elevaram o risco de erro humano.
Localizada em área da antiga Rede Ferroviária Federal e sob gestão da Secretaria do Patrimônio da União, a Ponte do Esqueleto teve seus acessos lacrados com valas, cercas de arame farpado e sinalização para evitar novas atividades no local.
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