Polícia

OUÇA: Motorista baleado por suposto policial após acidente em Salvador relata ataque: “Já saiu apontando a arma para mim”

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Cirilo Carvalho, de 27 anos, afirma que policial saiu de Corolla armado, tentou retirá-lo do carro e disparou contra sua perna após uma colisão na Avenida São Rafael  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 24/08/2026, às 18h52 - Atualizado às 19h36



O motorista por aplicativo Cirilo Carvalho, de 27 anos, baleado na perna após um acidente de trânsito na manhã desta segunda-feira (24), na Avenida São Rafael, em Salvador, relatou à família que o homem que conduzia um Corolla saiu do veículo armado, o xingou e, após uma tentativa de retirá-lo do carro, disparou contra ele.

Segundo a vítima, o autor seria um policial identificado como Vanderlei Ramos Bonfim, que estava de folga. Em um áudio gravado por Cirilo no Hospital Geral do Estado (HGE), compartilhado com o BNEWS pela esposa dele, Samile Sahade, a vítima descreveu a sequência do episódio.

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Ele bateu na lateral do carro, eu perdi o controle, freei e, depois, ele bateu também de novo na minha porta do motorista. Ele já saiu do carro armado, apontando a arma para mim e me xingando, mandando eu descer do carro, só que eu não tinha como descer, porque o a parte frontal do carro dele estava grudada na minha porta, e eu mostrei para ele. Ele, já irritado, que eu percebi, eu comecei a filmar. Ele tentou me tirar pela porta do passageiro, mas não conseguiu, porque o local estava cheio de pacotes, e eu também resisti, para evitar que ele fizesse qualquer coisa. E, assim que ele terminou a filmagem, ele sacou a arma e disparou contra mim", contou.

Cirilo estava realizando entregas no momento do episódio e usava a roupa de entregador de uma plataforma de e-commerce. Após ser baleado, ele foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao HGE.

Bala permanece alojada na perna

Segundo Samile, o estado de saúde do marido é estável. O projétil, porém, continua alojado na perna, e Cirilo ainda não passou por cirurgia.

A esposa relatou que o marido conversou com familiares enquanto era levado na ambulância. Segundo ela, Cirilo afirmou que não havia iniciado uma briga e que não entendeu o motivo da reação do outro motorista.

“Ele disse que não brigou. Ele disse ‘não briguei e eu não sei o que eu fiz de errado’. Aparentemente, ele [Cirilo] estava andando devagar, o motorista de trás se estressou e bateu no fundo do carro dele. Aí, ele fechou o carro do meu marido com o próprio veículo, fechou a porta do motorista, né? Então, meu marido não conseguia sair pela porta do motorista, ele deu a volta no carro, abriu a porta do passageiro, foi, nesse momento que foi registrado em câmera, meu marido filmou ele, e aí ele tomou o celular, bateu em meu marido e deu um tiro na coxa direita dele”, relatou Sahade.

Família diz que policial foi identificado

A família afirma que o homem apontado como autor do disparo seria o policial militar Vanderlei Ramos Bonfim, que estaria de folga no momento do episódio e, por isso, não usava farda.

“Ele é um policial militar, a gente sabe só até o momento que o nome dele é Vanderlei, não temos muito mais informações que isso”, disse Sahade.
Segundo a esposa, Cirilo afirmou que o homem não se apresentou formalmente como policial.

“Não, não se identificou. Ele só saiu do carro e a linguagem dele foi apenas de violência”, declarou.

Questionada sobre o que o suspeito teria dito durante a abordagem, Sahade afirmou:

“O agressor não falou nada. Ele só saiu do carro e atirou em meu marido. Ele não falou, ele não teve comunicação. Porque o que a gente sabe foi, primeiro, o que as testemunhas que estavam no local falaram pra gente, e segundo, o que meu marido me disse no caminho da ambulância. Mas ele não estava conseguindo falar muito porque ele estava com muita dor”, detalhou.

Família contesta registro da ocorrência

A família informou que registrou um boletim de ocorrência no próprio HGE. Segundo Sahade, os familiares solicitaram que o caso fosse registrado inicialmente como tentativa de homicídio, mas a ocorrência teria sido alterada para lesão corporal.

“Fizemos o boletim de ocorrência no próprio HGE. Só que tentamos a abertura do boletim de ocorrência para tentativa de homicídio, até porque o lugar onde a bala está alojada é muito próximo à artéria femoral, então, a chance de morte era muito grande. Mas, o delegado chamado Dermeval Amado Júnior ligou para lá diversas vezes, ele ligou para lá e mandou trocar de tentativa de homicídio para lesão corporal. Inclusive, isso fez com que a perícia no veículo fosse cancelada”, lamentou.

Ainda conforme a esposa, a cápsula do disparo permanecia dentro do carro, sobre o banco do passageiro, e o veículo ainda estava no local do acidente por volta das 17h.

“A cápsula da bala ainda está dentro do carro, em cima do banco do passageiro, a gente está aguardando mais informações, mas eles cancelaram a perícia, o carro está lá parado”, disse.

Testemunha teria procurado a família

Luísa Carvalho, irmã de Cirilo, também relatou que uma testemunha teria entrado em contato com a família depois de presenciar o episódio. Segundo ela, a mulher fez uma chamada de vídeo e contou o que havia ocorrido.

“Tinha testemunhas, tanto que foi uma moça que me ligou. Foi como eu soube o que tinha acontecido, ela fez uma chamada de vídeo. Foi uma covardia que meu irmão não reagiu a nada e, mesmo assim, meu irmão tomou um tiro. Tem essa testemunha que pode provar”, acrescentou.

Família cobra responsabilização

Samile afirmou que espera a responsabilização do homem apontado pela família como autor do disparo. “A gente quer a exoneração dessa pessoa e que ele seja preso. Porque não tem como uma pessoa que tem o poder de arma de fogo ser tão desequilibrado a ponto de atirar em alguém por conta de uma briga de trânsito”, lamentou.

A esposa também afirmou que pessoas ligadas ao suspeito estariam tentando impedir o avanço do caso. “É absurdo como a gente não pode contar com a nossa própria segurança pública para nos defender, a gente ainda está lidando com o fato de que ele tem contatos e esses contatos estão tentando abafar a situação”, suspeitou a esposa da vítima.

O que dizem PM e PC

O BNEWS procurou a Polícia Militar e a Polícia Civil para esclarecer as denúncias apresentadas pela família de Cirilo e questionar as circunstâncias da ocorrência, incluindo a identificação do policial apontado como autor do disparo e a mudança no registro da ocorrência.

Até a publicação desta matéria, as corporações não haviam respondido aos questionamentos. O espaço segue aberto para manifestações.

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