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Pai se revolta e aciona Polícia Militar após filha desenhar orixá na escola; entenda

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A entrada de policiais armados na escola gerou medo entre alunos e funcionários após pai reclamar de atividade de orixá  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Pixabayu=
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 16/11/2025, às 19h53



A revolta de um pai com um atividade escolar voltada à cultura afro-brasileira resultou na entrada de quatro policiais armados, sendo um deles com uma metralhadora, na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, no Caxingui, zona oeste de São Paulo, na última semana. De acordo com informações do Metrópoles, o homem acionou a corporação após a filha de 4 anos desenhar a orixá Iansã.

Na última terça-feira (11), um dia antes de acionar a polícia, o pai já havia demonstrado descontentamento com o trabalho baseado no currículo antirracista da rede municipal e chegou a rasgar um mural com desenhos das crianças exposto na escola, segundo relato de uma mãe.

Diante do episídio, a direção da instituição orientou que o homem participasse, na quarta-feira (12), de uma reunião do Conselho da Escola, mas ele não compareceu e acionou a PM.

A atividade fazia parte da leitura do livro infantil Ciranda em Aruanda, da autora Liu Olivina. A obra apresenta 10 orixás com textos curtos e ilustrações e, segundo a direção, a proposta está amparada pelas leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. As crianças apenas ouviram a história e fizeram um desenho depois.

Os policiais, que não pertenciam à ronda escolar, entraram na escola e alegaram que a atividade configuraria "ensino religioso" e afirmaram que a criança estaria sendo exposta a uma religião diferente da de sua família.

A abordagem foi considerada hostil. De acordo com uma mãe, houve "abuso de poder, assustando crianças e funcionários". A diretora chegou a passar mal e foi retirada do local.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais conversaram com o pai e com a diretora e orientaram que ambos registrassem boletim de ocorrência, caso julgassem necessário. A pasta afirmou ainda que a Corregedoria da PM está disponível para apurar eventuais denúncias sobre a conduta dos agentes e que o armamento, incluindo a metralhadora, faz parte do Equipamento de Proteção Individual (EPI) utilizado durante todo o turno de serviço.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), afirmou que o pai recebeu esclarecimentos de que o desenho da criança integra uma produção coletiva da turma. A gestão municipal reforçou que a atividade está prevista nas propostas pedagógicas da escola e na obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena dentro do Currículo da Cidade.

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