Polícia

PF prende dois empresários em Salvador durante operação que investiga esquema milionário de fraudes em importações

Arquivo Pessoal
Operação investiga organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação no Aeroporto de Fortaleza  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 25/08/2026, às 08h54 - Atualizado às 09h10



A Receita Federal, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Snooker 2, que prende os empresários Hugo Mendonça Andrade Santos e Rodolfo Sérgio Martins Maia Filho, em Salvador.

A ação é um desdobramento de uma investigação que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas a operações de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Além dos empresários, também foi preso um auditor-fiscal aposentado da Receita Federal, todos são suspeitos de integrar a organização criminosa.

As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema. O grupo também teria adquirido aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos, sem compatibilidade com as receitas formalmente declaradas.

De acordo com a PF, o grupo seria responsável por favorecer importações fraudulentas e subfaturadas mediante pagamento de vantagens indevidas. A organização também é suspeita de atuar com corrupção, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.

As investigações apontam também que a organização tinha divisão de tarefas entre integrantes ligados ao setor público, ao meio empresarial, à movimentação financeira e à ocultação de patrimônio.

Empresas de fachada e pessoas apontadas como “laranjas” teriam sido usadas para receber, movimentar e esconder recursos provenientes dos supostos crimes. Também foram identificadas operações financeiras envolvendo criptomoedas e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por algumas empresas.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação.

Mandados são cumpridos em Salvador e no Ceará

Por determinação da Justiça Federal, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e em Salvador, na Bahia.

Na capital baiana, os policiais cumprem mandados em áreas nobres de Salvador. Viaturas da corporação foram vistas no Horto Florestal, no residencial Top Hill, na Rua Waldemar Falcão, e também há relatos da presença de agentes no Porto Trapiche.

A decisão judicial determinou medidas patrimoniais para garantir a efetividade da persecução penal. Entre elas estão a indisponibilidade de ativos financeiros, o sequestro de imóveis, o bloqueio de veículo de luxo e o afastamento complementar do sigilo de dados bancários.

Investigação começou em setembro de 2025

A atual fase da investigação surgiu a partir de novos elementos probatórios obtidos após a deflagração da Operação Snooker, realizada em setembro de 2025.

Segundo os órgãos envolvidos, as apurações indicaram a necessidade de novas medidas cautelares diante da suspeita de continuidade das atividades ilícitas. As ações também têm como objetivo preservar a instrução criminal e aprofundar a coleta de provas sobre a participação de outros investigados.

As diligências miram ainda empresários e profissionais vinculados ao setor de importação que operam no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Os investigadores buscam esclarecer movimentações financeiras supostamente utilizadas para ocultar e dissimular recursos de origem ilícita.

Grupo teria criado novas empresas

Segundo as investigações, o grupo criminoso teria uma divisão estruturada de tarefas e utilizado mecanismos para viabilizar fraudes em operações de importação e movimentações financeiras, dificultando a identificação da origem e do destino dos recursos.

A atuação conjunta da Corregedoria da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal teria permitido identificar a continuidade das atividades mesmo após medidas cautelares adotadas em fases anteriores da investigação.

Relatórios técnicos indicaram ainda que o grupo teria se reorganizado por meio da criação de novas empresas, que seriam utilizadas para dar prosseguimento às operações financeiras suspeitas.

Lancha de luxo foi apreendida em julho

A investigação também já havia atingido um dos empresários presos nesta terça-feira. Em 23 de julho, uma lancha de luxo foi apreendida na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador, durante uma ação relacionada à Operação Snooker.

A embarcação foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido nas proximidades de uma marina da capital baiana.

Ações penais já foram propostas

No âmbito das fases anteriores da investigação, ações penais foram propostas contra diversos investigados apontados como integrantes do esquema criminoso.

As medidas patrimoniais adotadas anteriormente resultaram na constrição de ativos financeiros e na apreensão de bens de elevado valor, segundo as autoridades.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)