Publicado em 03/11/2010, às 15h06 Redação Bocão News e Agência Brasil
Antes de deixar o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá tratar de assuntos espinhosos para poupar a presidente eleita de desgastes. Entre as questões pendentes que Lula quer deixar resolvidas estão a compra de aviões de caça e a indicação de um ministro para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação foi dada pelo próprio presidente nesta quarta-feira (3), durante a primeira entrevista concedida ao lado da presidente eleita, Dilma Rousseff.
Lula disse que já teria um nome para ocupar a vaga no STF aberta em agosto com a aposentadoria de Eros Grau, mas considerou prudente esperar passar a eleição para discutir a escolha com o presidente eleito.
O presidente afirmou que pretende discutir com Dilma o nome escolhido por ele antes de tomar qualquer decisão. “Quero consultá-la para saber se ela quer ou não [o nome escolhido por ele] porque vai ser no mandato dela praticamente [a indicação do ministro do Supremo]”, afirmou.
Em relação à escolha dos caças, Lula disse que também esperou para discutir o tema depois das eleições e do descanso de Dilma, quando tratarão do assunto com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
O governo brasileiro vai comprar 36 caças e tem três modelos em discussão: os franceses da Dassault, os da norte-americanda Boeing, e os da sueca Saab. Lula já revelou certa inclinação pelo modelo francês.
Outra questão que Lula pretende poupar a presidente eleita e resolver antes de passar o bastão para Dilma diz respeito à definição sobre o destino do italiano Cesare Battisti, condenado pela justiça italiana por crime de terrorismo e tratado no Brasil como ativista político, a quem foi concedido asilo político. O governo italiano pediu a extradição de Basttisti para que ele cumpra sua pena na Itália.
O presidente afirmou que espera o parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre o caso de Battisti e que acatará o que for recomendado por ele. “Estou dependendo do procurador-geral da República. Se ele me der um parecer, qualquer que seja o parecer dele, vou acatar porque ele que é o advogado, ele que é orientador do presidente da República. Tomarei a decisão”, disse Lula aos jornalistas.
Em 2009, o STF decidiu que cabe ao chefe do Executivo a decisão final sobre a concessão de refúgio político a Battisti.
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