Política

Análise da PF conclui que voto impresso encarece bastante o processo eleitoral

José Cruz/Agência Brasil

Uma eventual aprovação do voto impresso auditável, previsto em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), oneraria em ao menos R$ 2 bi o estado, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Publicado em 04/08/2021, às 10h48    José Cruz/Agência Brasil    Redação BNews

Um relatório feito por peritos da Polícia Federal sobre as urnas eletrônicas reconheceram a necessidade de modernização, mas concluiu também que o sistema impresso tem maior chance de falha e "encarece" o processo eleitoral.

A análise foi feita em 2016 pela PF durante as eleições municipais e revelada nesta quarta-feira (4) pela CNN Brasil. Na live realizada na última quinta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro cita trechos do relatório para endossar a sua suspeita acerca das urnas eletrônicas.

O documento elaborado pela PF, contudo, reconhece que o voto impresso pode tornar mais fácil uma auditoria, mas também a ocorrência de uma "falha mecânica". Um ano antes, o Congresso aprovou a impressão do voto. A então presidente Dilma Roussef (PT) tentou vetar, mas a decisão foi derrubada e só veio a ser suspensa pelo Supremo Tribunal Federal em 2018.

"Recentemente, foi aprovada uma lei que requer que cada voto seja impresso e depositado em uma urna acoplada na urna eletrônica, de modo que caso haja desconfiança de fraude, os votos físicos possam ser contados e comparados com o boletim de urna. Este procedimento é satisfatório para atender ao requisito de auditoria, porém encarece bastante o processo (será necessário adicionar uma impressora e uma urna convencional a cada conjunto, haverá maior possibilidade de falha mecânica)", destaca o relatório.

Uma eventual aprovação do voto impresso auditável, previsto em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), oneraria em ao menos R$ 2 bi o estado, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O parece do relator Filipe Barros (PSL-PR) deve ser votado nesta quinta-feira (5). O deputado afirmou que vai tentar mudar o relatório para um "texto palatável". A intenção é enxugar e "deixar o essencial".

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