Política

Bolsonaro diz que indicará outro evangélico se Senado recusar Mendonça ao STF

Isac Nóbrega/PR

Ex-advogado-geral da União, Mendonça foi escolhido em julho por Bolsonaro

Publicado em 28/09/2021, às 12h25    Isac Nóbrega/PR    Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (27) que indicará novo evangélico ao STF (Supremo Tribunal Federal) se o Senado rejeitar o nome de André Mendonça.

"Se sair o André, no meu compromisso que fiz junto aos evangélicos, será outro evangélico. Eu acho que o André vai dar certo", disse Bolsonaro à Jovem Pan.

Ex-advogado-geral da União, Mendonça foi escolhido em julho por Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo, mas o o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Davi Alcolumbe (DEM-AP), trava a sabatina há mais de 70 dias.

A declaração de Bolsonaro reduz a lista de possíveis indicados ao STF como "plano B". O procurador-geral da República, Augusto Aras, por exemplo, é católico.

Acusações

Em outro trecho da entrevista, Bolsonaro disse que Aras deve arquivar as acusações que forem apresentadas no relatório final da CPI da Covid no Senado.

"Acho que o MP [Ministério Público], a tendência é arquivar esse negócio todo. É um circo. Não interfiro nas decisões do Aras. Zero. Mas todo mundo tem consciência do que está acontecendo", disse.

O presidente voltou a minizar os estragos da pandemia -há mais de 594 mil mortos pela Covid-19 no Brasil- e promover desinformação sobre vacinas. Ele também repetiu que o govenro não cometeu erros durante a crise sanitária.

Na entrevista, Bolsonaro não quis comentar sobre a resistência de Alcolumbre em pautar a sabatina de Mendonça. "Não quero entrar em boatos. Todo mundo quer poder", disse o mandatário.

O presidente também afirmou que Mendonça é "o melhor nome dentro daquele compromisso que eu fiz de indicar o terrivelmente evangélico".

Pautas

Bolsonaro também disse que deseja que o novo ministro do STF trate das pautas de "costume e questão da economia, [como] marco temporal e precatórios".

De acordo com pessoas próximas, entre as razões que levaram Alcolumbre a arrastar o agendamento do compromisso é um embate direto com o Palácio do Planalto.

Segundo aliados, o governo deixou de cumprir promessas que foram feitas por Alcolumbre enquanto ele ainda presidia o Senado, como distribuição de emendas parlamentares.

Outro motivo seria a preferência do congressista pelo nome de Aras. Na avaliação de senadores, essa predileção seria a principal causa para atuar contra o ex-ministro de Bolsonaro.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) já pediu a Alcolumbre que marque logo a data da sabatina. Como mostrou o Painel, Alcolumbre tem dado sinais dúbios em relação ao que vai fazer sobre o assunto.

Nos bastidores, líderes afirmam ter ouvido dele que haveria disposição para agendar para a semana do dia 13 de outubro. Ministros do governo fazem a mesma projeção.

Eleição

Bolsonaro também disse à Jovem Pan que respeitará uma vitória de candidato da esquerda à Presidência em 2022, se houver "voto realmente transparente". "Muita gente teme a volta da esquerda. Eu também temo, não há dúvida. Agora, se voltar pelo voto, paciência", declarou.

Ele afirmou que a criação de comissão pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que inclui as Forças Armadas, para acompanhar a transparência das eleições, torna o pleito do próximo ano mais confiável.

Na mesma entrevista, o presidente declarou que não queria dar um golpe, apesar de ter promovido atos golpistas no feriado do 7 de Setembro.

"A gente vai mudando as coisas, devagar, para viver numa normalidade. E porque um golpe, uma medida extrema, pode ter você ser carregado nos braços dois, três dias. Depois, quando chegar a realidade, todos vão sofrer. Não queremos regime de exceção aqui", disse Bolsonaro.

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