Foto: Edson Ruiz // Bocão News
Junto com o fim da campanha em busca da eleição, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), encerrou o comportamento de bom mocinho. Até então, Nilo vinha aceitando sem responder as críticas do deputado Zé Neto (PT) com relação à sua terceira reeleição para a presidência da Casa. Agora, já avisou ao líder do governo: “bateu, levou”.
É assim que será, daqui para a frente, a relação dos dois parlamentares que integram a base de sustentação do governador Wagner, ocupando espaços importantes para o sucesso do governo no Legislativo estadual.
Zé Neto, crítico ferrenho da terceira reeleição de Nilo, nunca escondeu que vai trabalhar para abrir a discussão sobre a questão da reeleição dentro da Assembleia Legislativa, condenando a manutenção de Nilo no cargo. Mais uma vez, o líder do governo retomou o assunto, questionando a reeleição “vitalícia”.
Marcelo Nilo, que até então vinha mantendo-se calado quanto às críticas do colega, decidiu revidar. “Há quatro meses venho apanhando de Zé Neto sem responder. Agora, aviso que bateu, levou. Não vou mais aturar as provocações”, adianta Nilo.
Para o presidente da Assembleia, o comportamento de Zé Neto é reflete a sua “dor de cotovelo” porque ele (Neto) não conseguiu emplacar a sua indicação para disputar a presidência do Legislativo baiana. “No voto direto, mesmo secreto, Zé Neto não se elege nem mesmo inspetor de quarteirão”, alfineta Nilo.
Neto responde não saber a razão pela qual o presidente está tão irritado, já que crítica faz parte do processo democrático. “O fato de a eleição já ter passado e Nilo ter sido eleito com o apoio da bancada do PT não encerra a discussão. Acho que esse é um debate que tem que acontecer”, diz Zé Neto.
Nilo diz concordar que a crítica faz parte do processo democrático, como faz parte desse processo também o seu direito em responder. “Quem diz o que quer ouve o que não quer”, diz Nilo fazendo referência ao antigo ditado popular.
O certo é tanto Marcelo Nilo quanto Zé Neto tem temperamento explosivo e a combinação entre eles pode em prejuízos para o governo, já que terão de tratar constantemente de assuntos do interesse do governo dentro do Legislativo. A relação azeda entre eles pode causar danos às negociações que terão que enfrentar na Assembleia.
Mesmo reconhecendo que poderá haver “estresses” entre eles, ambos buscam minimizar isso. “Minha prioridade é trabalhar para dar continuidade ao projeto do governador iniciado no primeiro mandato, aprovando as demandas de interesse do governo em benefício da sociedade”, diz Neto, ressaltando que saberá respeita r a condição do presidente Marcelo Nilo.
Este, por sua vez, diz que não tem nada de pessoal contra Zé Neto, que o respeitará enquanto líder do governo, mas que se ele “sair batendo” vai levar o troco. “Daqui para frente não deixarei passar nada”, adianta Nilo.
Ele desafia Zé Neto a apresentar uma proposta para mudar as regras da reeleição. “Se ele tiver poder de apresentar um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) e conseguir os 3/5 necessários para mudar a Constituição, eu sanciono na hora”, diz
Marcelo Nilo, ressaltando que acha difícil que Neto consiga essa dar cabo a essa tarefa. “Zé Neto é o mais rejeitado no voto secreto. Ele não se elege a nada pelo voto direto. Só na indicação”.
O presidente adianta que, neste momento, não pretende disputar a quarta reeleição, mas não descarta esta possibilidade ao ressaltar que “a política é muito dinâmica”. É justamente essa possibilidade que Zé Neto quer barrar. “Sou disciplinado e minha disposição é centrar minhas energias nas demandas do governo. Mas esse debate não será esquecido”, remenda Neto.