Política

“A gente nunca sabe se estão gravando”, diz Bolsonaro em reunião que foi gravada

Marcelo Camargo / Agência Brasil
A fala indica que o ex-presidente Bolsonaro desconfiava de ser gravado em reuniões  |   Bnews - Divulgação Marcelo Camargo / Agência Brasil
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 15/07/2024, às 18h48



“Deixar bem claro, a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa. Que não estamos procurando favorecimento de ninguém”. Essa foi a declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma reunião que foi gravada por um aliado, de acordo com a Polícia Federal (PF). A fala indica que o ex-presidente desconfiava de ser gravado em reuniões.

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De acordo com a PF, a transcrição do áudio, gravado pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na gestão Bolsonaro, por Alexandre Ramagem, mostra que uma reunião entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno e advogadas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que debatiam formas de buscar dados sobre investigação contra parlamentar e deixar isso "fechadíssimo".

A gravação, cujo sigilo foi derrubado nesta segunda-feira (15) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, faz parte do inquérito que investiga o uso da Abin para espionagem ilegal de desafetos de Bolsonaro, sobretudo no caso das rachadinhas.

Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é de que o entorno de Bolsonaro buscou quem dentro da Receita estava fazendo a investigação, para, posteriormente, tirar a pessoa do processo. Em determinado momento da gravação, divulgada nesta segunda-feira, a advogada Luciana Pires fala sobre buscar dados de funcionários da Receita.

"Tá certo. E, deixar bem claro, a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa. Que não estamos procurando favorecimento de ninguém", afirmou o ex-presidente.

Em outubro de 2020, o Ministério Público do Rio denunciou à Justiça o senador Flávio Bolsonaro, o ex-assessor dele Fabrício Queiroz e mais 15 investigados pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita no esquema da "rachadinha", na época em que Flávio Bolsonaro era deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Flávio Bolsonaro foi acusado de chefiar uma organização criminosa que recolhia parte do salário de seus ex-funcionários para seu benefício – prática conhecida como "rachadinha". O senador nega que tenha cometido os crimes.

Segundo o MP, foram identificados pelo menos 13 assessores que repassaram parte dos salários ao ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz. De acordo com documento do órgão, ele recebeu 483 depósitos na conta bancária, mais de R$ 2 milhões.

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