Política

A “Turma” e “Os Meninos”: Quem são e como atuavam os operadores de intimidação ligados a Daniel Vorcaro

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Operação revela estrutura com “A Turma” e “Os Meninos” usada para intimidar pessoas, obter informações sigilosas e blindar interesses do Banco Master  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 14/05/2026, às 09h39 - Atualizado às 09h42



A sexta fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), investiga a atuação de dois grupos, “A Turma” e “Os Meninos”, suspeitos de intimidar pessoas e obter informações sigilosas para atender interesses ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações, não eram cargos formais, nem departamentos, mas, operadores de pressão, coleta de informação e execução.

Os investigadores identificaram que o grupo denominado “A Turma” seria voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais. O segundo, chamado “Os Meninos”, teria perfil eminentemente tecnológico e seria vocacionado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.

Foi nessa etapa que a Polícia Federal (PF) chegou ao pai do banqueiro, Henrique Vorcaro. O que aparece com mais nitidez para os investigadores é o funcionamento de uma estrutura paralela, descrita pelos investigadores como um “braço” dedicado a proteger interesses financeiros — inclusive, se preciso, intimidando quem cruzasse o caminho.

Vigilância, pressão e acesso a dados
As mensagens interceptadas ajudam a entender o tom. Em uma delas, Daniel Vorcaro orienta Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, a “dar um sacode” em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário. A justificativa vem na sequência: “O outro já vai assustar”.

Em outro trecho, o alvo é uma empregada doméstica: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. A resposta de Mourão é objetiva: “O que é para fazer?”. Vorcaro devolve: “Puxa endereço tudo”.

Não se trata de episódios isolados. A Polícia Federal sustenta que havia um padrão: levantamento de dados, localização de pessoas, monitoramento de rotina e, quando necessário, intimidação direta — física ou moral.

Quem puxava os fios
No centro dessa engrenagem aparece Luiz Phillipi Mourão, tratado nas conversas como “Felipe Mourão” ou simplesmente “Sicário”. Era ele quem organizava a operação no dia a dia. Recebia, distribuía recursos e acionava os demais integrantes.

Uma das mensagens citadas na investigação mostra essa dinâmica: Mourão relata pagamentos mensais e diz que repassava parte “entre A Turma”. Na mesma conversa, menciona ainda “Os Meninos”, “DCM” e “editores”. Não são explicados ali, mas indicam divisão interna, tarefas segmentadas, gente com funções bem definidas.

Segundo a decisão que embasou fases anteriores da operação, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços. A atuação incluía consultas a bases abertas e também a sistemas restritos de órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal. Ele morreu após ser preso pela PF, ainda na superintendência em Minas Gerais.

A estrutura por dentro
“A Turma”, na descrição dos investigadores, concentrava o núcleo mais ativo: monitoramento clandestino, obtenção ilegal de dados e ações de coerção. Já “Os Meninos” aparecem como parte dessa rede ampliada, também citados nas comunicações, mas com funções menos detalhadas nos documentos até aqui.

Nomes apontados
Marilson Roseno da Silva — policial federal aposentado, associado à obtenção de informações sigilosas e vigilância de alvos. A experiência na corporação, segundo a investigação, facilitava acessos e contatos.

Paulo Sérgio Neves de Souza — ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Atuaria como consultor informal, antecipando movimentações do órgão regulador e revisando documentos que o Banco Master enviaria ao próprio Bacen.

Belline Santana — ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Também ligado à consultoria estratégica. Há registros de encontros fora do Banco Central e pedidos de contato por telefone “para tratar de assuntos sensíveis”, evitando deixar rastro.

Leonardo Augusto Furtado Palhares — administrador da Varajo Consultoria, empresa apontada como peça-chave para formalizar contratos fictícios. Um deles tratava de um suposto estudo sobre jovens no mercado financeiro — na prática, segundo a PF, servia para viabilizar repasses.

Ana Claudia Queiroz de Paiva — ligada à Super Empreendimentos, empresa que teria operado transferências financeiras para sustentar pagamentos e atividades do grupo.

O que está em jogo
Agora, a investigação tenta responder até onde ia essa engrenagem. A suspeita central é que as ações de intimidação e coleta de dados tinham alvo e finalidade: blindar interesses financeiros e, principalmente, dificultar o avanço de apurações.

A lista de crimes sob análise é extensa: ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

Classificação Indicativa: Livre

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