Política

Alvo de investigação do MP, grupo faturou R$ 321 milhões em contratos com a prefeitura de Salvador

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Ao longo de 11 anos, as empresas prestaram serviços para diversas secretarias municipais e para o gabinete de Bruno Reis e ACM Neto  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 15/07/2026, às 06h32 - Atualizado às 06h44



Cinco empresas investigadas pelo MP-BA (Ministério Público da Bahia) firmaram, juntas, pelo menos R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026.

O período abrange as gestões do ex-prefeito ACM Neto (União) e do atual prefeito Bruno Reis (União). As companhias são alvo de uma operação que apura suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos públicos e superfaturamento. A informação é da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.

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Empresas e valores recebidos
Ao longo de 11 anos, as empresas prestaram serviços para diversas secretarias municipais e também para o gabinete dos prefeitos.

A G3 Polaris Serviços lidera a lista de pagamentos, com R$ 124,8 milhões recebidos. Os repasses cresceram ao longo do tempo: começaram abaixo de R$ 1 milhão no primeiro ano e chegaram a cerca de R$ 25 milhões anuais nos anos mais recentes.

Na sequência aparece a Podium Distribuidora, que acumulou R$ 85,5 milhões desde 2015. A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção, além de ter prestado serviços diretamente ao Gabinete do Prefeito em 2018, durante a gestão de ACM Neto.

As demais empresas também registram valores elevados:

  • LN Distribuidora e Comércio: R$ 45,4 milhões
  • WLSP Logística e Transportes: R$ 37,6 milhões
  • MP2 Construções: R$ 27,7 milhões

Segundo o MP-BA, uma das sócias da MP2 Construções seria utilizada como suposta testa de ferro do grupo. Mesmo com o avanço das investigações, a empresa firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.

O que aponta a investigação
A operação foi deflagrada na segunda-feira (13) e é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), órgão do Ministério Público da Bahia.

As apurações indicam um prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos municipais. De acordo com os investigadores, as cinco empresas atuariam de forma coordenada, compartilhando estrutura operacional, recursos e interesses econômicos, como se fossem um único grupo.

O objetivo seria direcionar licitações e garantir pagamentos considerados irregulares em contratos com a administração municipal.

Agentes públicos afastados
Por determinação da Justiça, foram afastados dos cargos o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e o vereador George Gordinho da Favela (PP-BA).

Segundo o MP-BA, ambos são investigados por suposta participação no esquema de direcionamento de contratos públicos.

As irregularidades teriam ocorrido em contratos ligados à Seman (Secretaria Municipal de Manutenção), comandada por Sandes entre 2021 e 2023, e à Desal (Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador).

O que diz Bruno Reis
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que a gestão municipal já tinha conhecimento de irregularidades envolvendo as empresas alvo da operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), do MP-BA (Ministério Público da Bahia).

Segundo ele, a prefeitura vinha adotando medidas administrativas, como rescisão de contratos e aplicação de multas, e estava prestes a declarar a inidoneidade das companhias.

“Há muito a Prefeitura já havia, em diversas batalhas, seja administrativas, penalizando essas empresas, rescindido contratos, aplicando multas. Estávamos na iminência de decretar a inidoneidade para que elas ficassem impossibilitadas de contratar com o município”, disse, em coletiva na terça-feira (14).

O prefeito acrescentou que o município pediu à Justiça o cancelamento de todos os contratos e a suspensão de pagamentos futuros. “Amanhã, estamos pedindo à Justiça que amplie os efeitos da sentença proferida determinando o encerramento de todos os contratos, todos eles sejam cancelados e suspensos eventuais pagamentos futuros. Portanto, o Ministério Público prestou um serviço à cidade”, afirmou.

Sem citar nomes, ele também comentou o envolvimento de servidores e defendeu a responsabilização após o direito de defesa: “Em relação aos servidores envolvidos, quem tiver culpa, depois do devido contraditório e ampla defesa, eu digo isso vale para todos... Sejam servidores nossos, sejam servidores dos estados, sejam esses ou aqueles envolvidos nessa ou naquela operação, depois de poderem ter o direito de defesa, caso cometa alguma ilegalidade, que seja cumprida o que determina a lei”.

O que diz ACM Neto
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), defendeu que as irregularidades apontadas na operação sejam investigadas com rigor e transparência.

A apuração envolve suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos e superfaturamento, com prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos, além do afastamento do ex-secretário Luciano Sandes e do vereador George Reis (PP).

“Nós defendemos que tudo seja investigado, seja apurado com o máximo de rigor, com toda a transparência [...] que os eventuais envolvidos sejam responsabilizados e punidos. É preciso dar o direito à defesa [...] repito: se houver alguma irregularidade ou envolvimento de qualquer ente público ou privado que seja responsabilizado por isso”, afirmou ACM Neto.

Classificação Indicativa: Livre

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