Política

Campo de concentração, burca e fome: O que brasileiros estão postando após Lula e Flávio irem ao segundo turno

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Resultado que levou Flávio Bolsonaro e Lula ao segundo turno virou combustível para uma onda de memes com humor político e referências extremas  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 06/10/2026, às 08h58 - Atualizado às 09h30



A definição de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma enxurrada de memes nas redes sociais.

Entre as publicações, internautas fizeram referências à fome, campos de concentração, burcas, câmaras de gás, senzalas e até supostas mudanças no Sistema Único de Saúde (SUS) para ironizar o cenário político após o primeiro turno.

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O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Já o petista somou 53.876.617 votos, ou 45,16%.

Memes apostam no exagero

Parte das publicações brinca com uma suposta realidade de fome caso Flávio Bolsonaro vença a eleição. Em uma delas, um usuário escreveu: “e quando o Flávio Bolsonaro ganhar com seus 22 senadores do PL e eu começar a passar fome e finalmente emagrecer”.

Outro comentário segue a mesma linha: “Minha janta de hoje será uma unidade de [biscoito] Clube Social pra já me acostumando a passar fome”.

As referências ficaram ainda mais extremas em outras postagens. Um dos memes dizia: “Eu no campo de concentração seduzindo o militar pra ele me dar uma perna de galinha a mais”.

Também houve quem escrevesse: “Eu no campo de concentração vendo que acharam mais um rato pra comer”.

Burca, senzala e câmara de gás

As referências utilizadas nos memes também passaram por temas relacionados a autoritarismo e perseguição.

“Eu no campo de concentração ajudando o Chico Buarque a criar um novo hit com mensagem subliminar pra protestar contra a ditadura”, publicou um usuário.

Outro escreveu: “Eu na porta do quartel pedindo ferro de passar antes de ir pra senzala”.

Também apareceram referências às câmaras de gás. “Eu e os best alucinando dentro da câmera de gás” foi uma das frases compartilhadas.

Em outra publicação, a brincadeira dizia: “assim quando o gás começar fazer efeito dentro das câmaras de gás”.

As burcas também foram usadas como elemento dos memes. “Eu quando reconhecer o olho da minha amiga quando ela tiver de burca”, dizia uma postagem.

Humor também mira possíveis mudanças no país

Outros memes fizeram referências a possíveis mudanças políticas e sociais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. “Eu levando meu pai bolsonarista pra ser curado por pajé em 2028 porque o SUS foi privatizado”, escreveu um usuário.

Outra publicação dizia: “eu em 2027 no Israel de Janeiro descendo na portaria pra pegar meu lanche que chegou no app Bopefood”.

Também houve uma referência racial em um dos comentários: “Não vejo a hora do Flávio lançar ‘meu negro meu escravo’”.

A lista de publicações inclui ainda frases como “Eu na 13ª divisão do Ceará lutando pelo direito do povo” e “Ensaios da Anitta em 2027 será assim”, uma imagem de um show com todos os músicos de burca no palco.

O humor político chegou também a situações relacionadas à sobrevivência em um eventual cenário imaginado pelos autores dos memes. “eu descobrindo que meu amigo mamou o guarda no campo de concentração pra poder conseguir o melhor osso”, dizia outra publicação.

Redes viraram parte da disputa eleitoral

A força dos memes aparece em um contexto no qual a atuação nas redes sociais passou a ser tratada por políticos como parte importante da estratégia eleitoral.

A influenciadora Ana Elisa (PT), eleita deputada federal por Minas Gerais aos 21 anos com 524.219 votos, defendeu justamente uma atuação maior da esquerda nas plataformas digitais após o primeiro turno.

“Se a esquerda não dominar as redes sociais, nós vamos perder. É isso aí, eu tenho dito sempre. Eu tenho dito isso desde o início”, afirmou Ana Elisa em entrevista ao Metrópoles.

A parlamentar também afirmou que a dinâmica das plataformas permite mudanças rápidas durante a campanha.

“Dá tempo de nós dominarmos as redes sociais, porque a rede social tem memória fraca. Esse resultado de hoje não determina nada”, disse.

Para Ana Elisa, a disputa política deixou de estar separada entre o ambiente digital e as ruas. “A sociedade vê quem tem presença na rede, a sociedade vê quem constrói rede social. Então, essa votação expressiva do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e a minha votação expressiva também para o campo progressista é este entendimento. O entendimento de que a sociedade entende que não existe separação de redes e ruas”, declarou.

Nikolas e Pavanato batem recorde de votos

A eleição também foi marcada por votações históricas de candidatos ligados às redes sociais. Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu 3.119.318 votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) somou 3.038.438. Os dois foram os primeiros candidatos a deputado federal a ultrapassar a marca de 3 milhões de votos.

Ana Elisa também apareceu entre os 10 deputados federais mais votados do país, com 524.219 votos. O ranking inclui ainda Erika Hilton, André Fernandes, Sâmia Bomfim, Julia Zanatta, Kim Kataguiri, Tabata Amaral e Jeffrey Chiquini.

A própria Ana Elisa relacionou o resultado dela e o de Nikolas à presença dos dois no ambiente digital, embora representem campos políticos opostos.

“O caso do deputado federal Nikolas Ferreira, com 3,1 milhões de votos, e o meu caso, com meio milhão de votos, é que a direita e a esquerda, dentro do seu intrínseco, muitas vezes possuem resistência às redes sociais, mas a sociedade não”, afirmou.

Jovens, memes e a nova linguagem política

A relação dos jovens com as redes sociais ajuda a explicar por que memes, vídeos curtos, gírias e ironias ganharam espaço também na comunicação política. Uma das mudanças está na própria forma de buscar conteúdo. 

Segundo dados apresentados pelo Google em uma conferência da indústria, cerca de 40% dos jovens da Geração Z preferem iniciar buscas por locais para comer, produtos ou tutoriais no TikTok ou no Instagram, em vez de recorrer à busca tradicional ou ao Google Maps. O Digital News Report, do Reuters Institute, também apontou que, entre pessoas de 18 a 24 anos, redes sociais e plataformas de vídeo são uma das principais portas de entrada para notícias.

Um levantamento da Pew Research Center aponta que mais de 67% dos adolescentes usam o TikTok diariamente, com consumo superior a 90 minutos por dia. Uma pesquisa da McKinsey indica que 82% dos jovens consumidores confiam mais em recomendações de pessoas comuns, criadores de nicho e conteúdos produzidos por usuários do que em anúncios feitos por grandes marcas.

Classificação Indicativa: Livre

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