Política

Carmen Lúcia diz que Brasil ainda 'não é civilização'; entenda

Luiz Silveira/STF
Ministra do STF afirma que Brasil vive uma barbárie por conta do alto número de feminicídios  |   Bnews - Divulgação Luiz Silveira/STF
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 11/03/2026, às 17h00



A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” diante da violência contra mulheres.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (11), durante o evento “Todas e Todos Contra o Feminicídio”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília.

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Matam crianças, matam meninas fisicamente, socialmente, intelectualmente, psiquicamente. Isto não é uma civilização. Isto é barbárie

A ministra citou dados que indicam que uma mulher é assassinada no Brasil a cada menos de seis horas apenas por ser mulher.

Durante a fala, Cármen Lúcia também relembrou uma decisão do Supremo, tomada em março de 2025, que declarou inconstitucional o uso do argumento de “defesa da honra” em casos de feminicídio.

A ministra criticou estratégias jurídicas que tentam desqualificar a vítima para justificar o crime. “Advogados atacavam a vida da mulher assassinada, e muitas vezes o réu era absolvido sob aplausos depois de matar com tiros no rosto”, disse.

Cármen também usou a metáfora da “gata borralheira” para descrever o confinamento histórico das mulheres ao espaço doméstico, enquanto homens ocupam espaços de decisão e influência.

“Os clubes de charuto continuam ainda hoje. Os homens se reúnem, se apresentam e depois são promovidos porque já conhecem quem vai nomear”, afirmou.

Segundo a ministra, a realidade das mulheres ainda é marcada pela dupla ou tripla jornada de trabalho. “Nós queremos ser amigas, passear, viver. Não queremos ser guerreiras o tempo todo, porque isso cansa”, disse

"Sem mulheres não há democracia”, completou Carmen, que finalizou citando a escritora Conceição Evaristo:“Combinaram de nos matar e nós combinamos de não morrer”.

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