Política
por Daniel Serrano
Publicado em 23/11/2025, às 10h03 - Atualizado às 10h03
Uma auditoria feita pelo Ministério da Justiça identificou que dados de milhões de brasileiros podem ter sido usados para consultar informações sobre pessoas, veículos e empresas por contas ligadas ao Governo do Rio de Janeiro no Córtex, a plataforma de monitoramento. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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De acordo com a publicação, 69,2 milhões de CPFs, cerca de um terço de toda a população brasileira, foram registrados como autores de 213 milhões de buscas na plataforma. Uma avaliação preliminar do ministério aponta para "fortes indícios" de automação das pesquisas e a criação de CPFs para driblar mecanismos de bloqueio da plataforma.
Além da auditoria feita pelo Ministério da Justiça, a Polícia Federal investiga se foram cometidos crimes, como a inserção de dados falsos em sistema de informação, violação do sigilo funcional e invasão de dispositivo informático.
O Córtex é uma plataforma que pode ser usada apenas por integrantes de órgãos que firmam convênio com o governo federal. Através dele é possível obter informações em tempo real, coletadas por câmeras e outras bases de dados. Para acessar a plataforma, é preciso ter uma chave de acesso e informar o CPF de quem fez a busca.
O Governo do Rio de Janeiro possui duas chaves: uma da PM e outra da Secretaria de Governo. Segundo a investigação, após o uso dessas chaves, foram registrados milhões de CPFs não ligados ao governo local. A análise preliminar do ministério diz que as consultas podem ter sido pulverizadas em muitos documentos para evitar o bloqueio que acontece quando um mesmo CPF realiza muitas buscas.
O Ministério da Justiça e a PF investigam como foi feito o acesso e quais foram os objetivos dos acessos. Entre as preocupações está o "risco potencial" de uso político ou indevido das informações, já que parte dos CPFs registrados é classificada como Pessoas Politicamente Expostas, que vai de vereadores de pequenas cidades até membros da cúpula dos três Poderes.
Segundo a auditoria do ministério, foram usados 79,9 mil CPFs de pessoas politicamente expostas, número próximo a 60% do total do grupo classificado dessa forma. A apuração não lista quem são os donos dos documentos.
O Ministério da Justiça diz que as análises estão em fase preliminar e não descarta nenhuma linha de investigação. "Medidas administrativas já foram adotadas para preservação da integridade dos sistemas, incluindo bloqueio de acessos, reforço de controles e apuração de responsabilidades individuais", diz a pasta.
Em nota, a Secretaria de Governo do Rio de Janeiro confirmou que foi avisada pela PM sobre a investigação e que já começou a reunir informações para responder aos órgãos federais. Além disso, a gestão de Cláudio Castro revelou ter pedido a abertura de inquérito da Polícia Civil.
Já a PM diz,em nota, que "não houve qualquer uso anormal" do Córtex na sua conta e que apenas policiais militares podem usar a plataforma e que está em diálogo com o governo federal para reativar o acesso.
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