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Direto de Brasília: Bia Kicis diz que 'não há dúvidas de perseguição' contra Bolsonaro no inquérito das joias

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Ex-presidente foi indiciado pela PF nesta quinta (4)  |   Bnews - Divulgação Bnews
Lara Curcino

por Lara Curcino

lara.curcino@bnews.com.br

Publicado em 05/07/2024, às 18h30



A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou ao BNews, nesta sexta-feira (5), que "não há dúvidas de perseguição" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal (PF), após ele ter sido indiciado no dia anterior, junto a outras 11 pessoas, no inquérito que investiga suposta apropriação indevida, por parte dele e de ex-assessores, de joias milionárias dadas de presente quando ele era chefe do Executivo.

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"No caso das joias não há a menor dúvida de perseguição. Hoje voltou a circular um vídeo de Lula em que ele diz que saiu da Presidência com 11 contêineres [de presentes de chefes de Estado], até com trono africano. Para Lula, tudo pode. Foi o presidente que, como ele mesmo disse, mais recebeu presentes. E aí Bolsonaro, que fez tudo certo [é indiciado]. Porque havia uma comitiva que disse que os presentes eram personalíssimos, que ele recebeu. Quando se levantou essa dúvida no TCU [Tribunal de Contas da União], ele devolveu os presentes. Então realmente é uma perseguiç sem fim, que a gente já notou no período eleitoral e continua. Vamos ver até onde isso vai", declarou Bia.

Bolsonaro foi indiciado por peculato (se apropriar de bens públicos), lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele já negou as irregularidades em outras ocasiões, mas o advogado dele, Paulo Cunha Bueno, já afirmou que não vai se manifestar neste momento, por ainda não ter tido acesso ao documento da PF.

A polícia vai encaminhar agora o relatório ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele envie o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR vai analisar o relatório e decidir se há elementos suficientes para denunciar os 12 indiciados. Caso sim, o STF vai julgar se torna os acusados réus, se os processos serão arquivados ou encaminhados à primeira instância.

Inquérito das joias

A investigação da PF aponta que Bolsonaro ganhou joias e presentes de autoridades internacionais enquanto era presidente e tentou vendê-las nos Estados Unidos, por intermediários, em junho de 2022.

Entre as joias estava um kit entregue a ele em uma viagem oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019, e que continha um relógio da marca Rolex de ouro branca, um anel, abotoaduras e um rosário islâmico.

A PF afirma que o relógio foi levado aos EUA por uma comitiva do então presidente, em um avião da Força Aérea Brasileira, e lá foi vendido por cerca de R$ 300 mil à loja Precision Watches, na Pensilvânia. Depois de a situação veio a público, em 2023, aliados de Bolsonaro fizeram uma operação para recomprar o produto e entregá-lo ao governo novamente.

Joias da marca de luxo Chopard, que foram trazidas ao Brasil com uma comitiva do governo em 2021, também foram negociadas nos EUA.

Foi revelado pela PF que um colar de diamantes da Chopard - que integrava o kit - ficou retida na Receita Federal do Aeroporto de Guarulhos e o então ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, tentou recuperá-las com o Fisco em 29 de dezembro de 2022, quando o então presidente já havia perdido a eleição e embarcaria para os EUA no dia seguinte.

Uma outra parte que não ficou na Receita também foi levada aos EUA e chegou a ser anunciada por uma casa de leilões em Nova York, mas não chegou a ser arrematada.

Outros indiciados

Além de Bolsonaro, foram indiciadas outras 11 pessoas apontadas pela PF como envolvidas nos casos. Confira:

* Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro - indiciado por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro;

* Frederick Wassef, advogado do ex-presidente - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* Fabio Wajngarten, advogado de Bolsonaro e ex-secretário de Comunicação - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro - peculato e associação criminosa;

* Mauro Cesar Lourena Cid, general da reserva do Exército - lavagem de dinheiro e associação criminosa;

* José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia - peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro;

* Julio César Vieira Gomes, auditor-fiscal e ex-secretário da Receita - peculato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa;

* Marcelo da Silva Vieira, chefe do gabinete de Documentação Histórica da Presidência da República no mandato de Bolsonaro - peculato e associação criminosa;

* Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro - lavagem de dinheiro;

* Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque - peculato e associação criminosa;

* Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro - lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Apesar do indiciamento, a PF não pediu a prisão preventiva ou temporária de nenhuma das 12 pessoas no relatório final.

Classificação Indicativa: Livre

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