Política

Documento mostra como Flávio Bolsonaro iria ceder terras raras para serem exploradas pelos EUA

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Relatório estratégico demonstra como campanha de Flávio iria se aproximar dos EUA para permitir exploração de minerais e terras raras  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 12/09/2026, às 07h46



Elaborado pelo aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um documento com diretrizes em inglês mostra como seria uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras em uma eventual vitória nas urnas. O memorando estratégico foi confeccionado pelo candidato do Partido Novo a governador do Rio de Janeiro, André Marinho, filho do suplente de Flávio ao Senado. A informação foi revelada pelo jornalista Guilherme Amado em seu site, o Amado Mundo.

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Segundo o comunicador, a identificação de Marinho como autor do documento está nos metadados do arquivo e foi confirmada pelo próprio site. O documento conta com 22 páginas em formato de uma apresentação de PowerPoint e detalha como seria essa aliança com os americanos.

Ainda de acordo com a publicação, a apresentação foi elaborada em 19 de março deste ano, cerca de duas semanas antes de André Marinho viajar aos Estados Unidos para se reunir com o vice-presidente J.D. Vance. Sete semanas depois, em maio, foi a vez de Flávio reunir-se com o vice-presidente americano e com o próprio Donald Trump em Washington.

O encontro teria sido facilitado pela proximidade de André Marinho com Trump, já que a cantora Giulia Be, filha do empresário Paulo Marinho e irmã do candidato do Novo, é casada com Conor Kennedy, filho do secretário de Saúde do governo Donald Trump, Robert Kennedy Jr.

Ao site, Marinho disse que o documento não teria relação com a campanha de Flávio, embora a capa da apresentação seja explícita, ao estampar “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. Todas as demais páginas trazem uma logo “Flávio Bolsonaro”, com o slogan “Prosperity Partnership” (Parceria próspera, em inglês).

Veja:

Campanha
Texto traz o seguinte slogan: "Parceria de Prosperidade - Flávio Bolsonaro | Aliança Brasil-E.U.A. de Minerais Críticos e Terras Raras | Memorando Estratégico | Flávio Bolsonaro | Campanha 2026 | Foto: Amado Mundo)

Procurada pela reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu se encomendou a produção do documento a Marinho, se tem alguma relação a proposta, se concordou com ela e se houve uma apresentação nos Estados Unidos. A campanha também não se pronunciou se recebeu algum recurso financeiro de empresas americanas ligadas ao grupo Rockbridge, formado por investidores trumpistas. A acusação foi feita por Renan Santos, do partido Missão, adversário de Flávio na disputa pelo Planalto.

O que diz o documento

De acordo com a proposta, um eventual governo do PL seria uma escolha mais segura para que os Estados Unidos consigam explorar minerais críticos e terras raras no Brasil. A apresentação afirma que uma administração de Flávio iria posicionar o "Brasil como o principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental, ao mesmo tempo em que assegura a industrialização, a geração de empregos e a autonomia estratégica".

Campanha

Em determinados tópicos, o documento diz que o “Flávio Bolsonaro Way” se baseia em três princípios: o Brasil não seguiria sendo um exportador de matéria-prima, não se tornaria “estruturalmente dependente” de cadeias de processamento chinesas e “se alinhará com os Estados Unidos na construção de um sistema de abastecimento paralelo”.

O memorando traz ainda uma avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio na eleição deste ano, como “pró-China”. O documento diz que a gestão petista é direcionada por uma “ambiguidade geopolítica deliberada”, “flexibilidade de alinhamento com a China”, “avanço regulatório lento” em relação às terras raras e minerais críticos, industrialização “incerta” e atração de capital “reativa”.

Caso Lula vença as eleições, de acordo com o documento, a continuidade do petista na Presidência faria do Brasil "um mero fornecedor de matérias-primas para a China", com possibilidade de “perder oportunidades industriais” e “perder a janela de oportunidade para o realinhamento da cadeia de suprimentos dos EUA”.

Campanha

Já a “parceria para a prosperidade”, como o plano descreve suas ideias para um governo Flávio Bolsonaro, em oposição ao governo Lula, teria diretrizes como “claro alinhamento ocidental”, foco na “execução”, “política industrial + integração minerária”, “aceleração regulatória” e “atração de capital”.

A diferença é simples: Lula hesita, Bolsonaro executa”, declara a proposta.

Uma projeção expressa no documento diz que, em uma eventual parceria de dez anos, é possível prever investimento de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em mineração, refino e processamento, criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e aumento de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB.

O Brasil não está pedindo por assistência. O Brasil oferece escala. Escala geológica. Escala territorial. Escala de oportunidade. O que o Brasil precisa é de: certeza de demanda. Alinhamento de capital. Parceria estratégica. O que os Estados Unidos precisam é de: uma base de suprimentos confiável, em grande escala e independente da China. O OCIDENTE NÃO TEM UM PROBLEMA DE MINERAIS. TEM UM PROBLEMA DE EXECUÇÃO. O BRASIL É A SOLUÇÃO”, afirma.

Relações com a Rockbridge

Trump
Encontro de Flávio e Eduardo Bolsonaro em maio deste ano (Foto: Redes sociais)

Ao jornalista Guilherme Amado, André Marinho admitiu ter analisado junto à Rockbridge a instalação de uma célula do grupo em território brasileiro. Ele também teria sido o responsável por conectar a empresa americana e o empresário Pedro Sang, apontado por Renan Santos como intermediário dos supostos repasses para a campanha de Flávio.

Caso seja comprovada, a conduta poderia levar até à cassação da chapa do PL, já que o recebimento de recursos de governos estrangeiros para financiamento eleitoral é vedado pela Justiça.

Em entrevista ao site Amado Mundo, Sang citou André Marinho como o responsável por aproximá-lo da Rockbridge Network, rede de financiadores políticos ligados a Donald Trump fundada por JD Vance. O empresário é citado nas acusações feitas pelo presidenciável Renan Santos, do Missão, e aliados dele, como o ex-deputado Arthur do Val, de que a campanha de Flávio Bolsonaro teria recebido dinheiro americano por meio da Rockbridge.

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