Política

Edvaldo Brito defende acesso a oportunidades como chave para a ascensão social da população negra

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O jurista Edvaldo Brito analisa os desafios enfrentados pela população negra e a importância da consciência social no Brasil  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / De Cara com o Líder
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 02/12/2025, às 20h00



O jurista e Professor Emérito Edvaldo Brito foi o entrevistado desta terça-feira (02) no programa De Cara com o Líder, apresentado pelo vice-governador Geraldo Júnior, na Rádio Baiana FM (89,3). Ele trouxe reflexões firmes e profundas sobre política, justiça social, consciência negra e os desafios estruturais que ainda limitam a ascensão da população negra no Brasil.

Durante a conversa, Brito destacou a importância histórica da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao transformar o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra em feriado em todo o país. “Houve uma influência de deputados da bancada negra, dentre eles o deputado Antônio Brito, e saiu o feriado”, afirmou. Para ele, a medida reforça não apenas a memória de Zumbi dos Palmares, mas a necessidade de ampliar a compreensão sobre o que significa, de fato, ter consciência negra. “A consciência negra significa que nós, os negros, mas insisto eu, não somente nós, deveríamos ter uma ciência da nossa situação social”, enfatizou.

O jurista explicou que essa consciência precisa estar ligada à percepção de que o processo de ascensão social é dificultado pela ausência de “equipamentos de ascensão” — como universidades, centros culturais, infraestrutura e oportunidades distribuídas de forma igualitária. Ele citou as Cajazeiras, uma das maiores regiões habitacionais do estado, como exemplo dessa desigualdade. “As Cajazeiras têm população maior do que Feira de Santana. Então, por que lá não tem esses equipamentos?”, questionou.

Brito relatou o caso de uma aluna que chegava atrasada às aulas por viver longe dos centros universitários. A situação ilustra, segundo ele, barreiras reais e cotidianas. “O negro tem dificuldade de ascender socialmente porque ele não tem os equipamentos”, destacou.

Em outro momento da entrevista, Brito chamou atenção para a disparidade entre a riqueza cultural produzida pelo povo negro e o retorno social e econômico que recebe. “Quando ele põe essa sua riqueza a serviço da comunidade, ele não usufrui na mesma proporção do que propiciou”, afirmou.

Para Edvaldo Brito, a ascensão social da população negra depende de reivindicações claras e estruturadas por direitos, oportunidades e reconhecimento proporcional. “O que importa é chamar a atenção do negro para o seguinte: ele tem toda uma riqueza e precisa reivindicar o que é seu por direito”, concluiu.

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