Política

Governo Lula concentra mais poder no partido do que Bolsonaro, Dilma e Temer

Agência Brasil
Lula centraliza poder em seu terceiro mandato, mas enfrenta insatisfação de aliados  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil

Publicado em 11/05/2025, às 19h24   Rebeca Santos



Em seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lida com dificuldades na consolidação de sua coalizão governista.

A recente mudança no Ministério da Previdência, que substituiu Carlos Lupi por Wolney Queiroz, mantém 38% das pastas sob controle do PT – o maior percentual desde 2003, superando governos anteriores, como o de Jair Bolsonaro, que tinha apenas 9% de ministérios petistas.

Apesar da forte influência do partido, o governo já registrou doze trocas ministeriais desde o início da gestão, sendo seis somente em 2025. Esses ajustes buscam atender tanto a demandas internas do PT quanto a situações de crise.

Entre as pastas comandadas pelo partido estão áreas-chave como Saúde, Educação e Fazenda.

A concentração de ministérios nas mãos do PT tem gerado descontentamento entre os partidos da base. Analistas apontam que Lula, marcado pela Lava Jato, adotou uma postura mais cautelosa na distribuição de cargos.

O Congresso atual, com bancadas mais polarizadas, dificulta a construção de uma aliança estável. Tradicionalmente, presidentes promovem reformulações na base aliada até o terceiro ano de mandato, mas Lula ainda não realizou movimentos significativos nesse sentido.

Partidos como União Brasil, PP e MDB, mesmo ocupando pastas, frequentemente votam contra o governo. A ausência de acordos formais com o Planalto faz com que essas legendas não se sintam comprometidas com o apoio à gestão. O PDT, por exemplo, anunciou a retirada de seu apoio, alegando falta de respeito durante a demissão de Lupi.

 Segundo informações do Estadão, Parlamentares de partidos aliados reclamam da falta de espaço no governo. Um deputado do PSD, que comanda três ministérios, manifestou frustração com a ausência de pastas mais estratégicas.

O partido já avalia lançar um nome próprio para a Presidência em 2026. A centralização petista reflete não só a desconfiança em alianças, mas também um Legislativo mais fortalecido, onde as negociações se tornaram mais complexas.

A dinâmica atual exige que o Executivo negogie apoio de forma pontual, em vez de contar com lealdade incondicional. Essa mudança afeta diretamente a governabilidade e a capacidade de aprovar projetos no Congresso, criando um cenário desafiador para os próximos anos.

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