Política
por Thiago Teixeira
Publicado em 22/03/2026, às 12h10 - Atualizado às 12h30
A destinação de dinheiro público para shows promovidos por prefeituras brasileiras expõe um cenário de forte concentração de recursos: apenas 1% das empresas contratadas para apresentações artísticas ficou com mais da metade dos valores pagos entre 2024 e 2025.
O levantamento, baseado em informações do Portal Nacional de Contratações Públicas, analisou cerca de 85 mil contratos firmados nos últimos dois anos. Ao todo, foram identificados R$ 5,2 bilhões destinados a cerca de 21 mil empresas.
Desse montante, aproximadamente R$ 2,9 bilhões — o equivalente a 56% — ficaram concentrados em apenas 200 empresas. De acordo com o Uol, na prática, muitas dessas empresas representam um único artista, o que ajuda a explicar a recorrência de nomes já consolidados no circuito nacional nas programações municipais.
Entre os principais beneficiados estão grandes escritórios do setor musical. A Criative Music e a LL Villas, que agenciam artistas do segmento gospel como Gabriela Rocha e Isadora Pompeo, receberam individualmente mais de R$ 50 milhões em contratos com dinheiro público no período.
Na sequência aparece a Talismã, ligada ao cantor Leonardo, com ao menos R$ 44 milhões por 64 apresentações. Já a OK Produções, associada ao artista Natanzinho Lima, soma cerca de R$ 42 milhões, enquanto a NL Produções adiciona outros R$ 23 milhões em contratos.
Um caso à parte é o do cantor Wesley Safadão, que aparece vinculado a seis empresas diferentes. Juntas, elas acumulam cerca de R$ 67 milhões em contratações com prefeituras e governos estaduais. Apesar da concentração financeira, a maior parte dos contratos firmados no país envolve artistas de menor porte.
A mediana das contratações no período foi de R$ 15 mil — ou seja, metade dos shows custou até esse valor. Ainda assim, os cachês mais altos, que podem ultrapassar R$ 1 milhão por apresentação, seguem concentrados nos artistas mais populares.
O cenário acende um alerta entre gestores públicos. Presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso afirma que há indícios de concentração no mercado. "A gente percebeu que já estava tendo até um certo cartel, com três ou quatro escritórios", disse.
Ele participa da iniciativa "São João sem Milhão", desenvolvida em parceria com o Ministério Público da Bahia para tentar conter a escalada de cachês e padronizar contratações.
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