Política
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 29/09/2026, às 21h31 - Atualizado às 21h43
Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada sem a cabeça na noite de sexta-feira (25), na Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá (MT). O caso provocou reação da Arquidiocese de Cuiabá, que classificou a situação como um ato de intolerância religiosa e vandalismo e pediu a apuração pelas autoridades.
A imagem foi localizada danificada por uma pessoa que registrou a situação no local. Segundo a Polícia Civil, não havia registro da ocorrência até a última atualização do caso. Também não foram identificados, até então, suspeitos ou informações que esclarecessem como a escultura foi danificada.
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A Cruz do Chilão é considerada um marco da religiosidade popular cuiabana. O espaço reúne referências da tradição católica e da cultura de povos de matriz africana e integra a memória histórica e cultural da capital mato-grossense.
Em nota, a Arquidiocese de Cuiabá repudiou o episódio e destacou que a liberdade de consciência e de crença, assim como o livre exercício dos cultos religiosos, são direitos garantidos pela Constituição Federal.
“Repudiamos toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé”, afirmou a instituição, que também defendeu diálogo, respeito e responsabilidade na divulgação de informações sobre o caso.
A Arquidiocese informou ainda que espera a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas cabíveis.
“A Arquidiocese de Cuiabá manifesta seu profundo repúdio à vandalização da imagem de Nossa Senhora Aparecida, localizada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá.
A imagem foi encontrada quebrada na noite da última sexta-feira (25), em um espaço que integra a memória religiosa, histórica e cultural de nossa cidade. A Cruz do Chilão é um importante marco da religiosidade popular cuiabana e carrega uma história que atravessa gerações, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana.
A Arquidiocese de Cuiabá reforça que a liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos, são direitos assegurados pela Constituição Federal. Atos de intolerância, discriminação e violência motivados pela religião podem configurar crimes e devem ser devidamente apurados e responsabilizados pelas autoridades competentes.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, é, para nós, católicos, Mãe protetora e intercessora. Durante o mês de outubro, nossas paróquias e comunidades se unem em diversas celebrações e atividades para honrar aquela que é um dos maiores símbolos da fé católica no Brasil. Sua imagem merece respeito, assim como devem ser respeitados os símbolos, espaços sagrados e manifestações de fé de todas as tradições religiosas.
Repudiamos toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé. Reafirmamos, ainda, a importância do diálogo, do respeito, da responsabilidade na comunicação e da busca pela verdade, especialmente em um momento de Sede Vacante, período de transição vivido pela Arquidiocese de Cuiabá.
Esperamos que o episódio seja devidamente apurado pelas autoridades competentes, que os responsáveis sejam identificados e que a justiça seja feita. Não à intolerância religiosa! Sim ao diálogo, à fraternidade e ao amor!
Arquidiocese de Cauiabá-MT”
O episódio ocorre meses depois de outro ataque contra uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em Mato Grosso. Em março, um homem de 47 anos foi detido após ser flagrado destruindo com um machado uma imagem da santa em uma capela de Jauru, a 463 quilômetros de Cuiabá.
Segundo a polícia, o homem afirmou que havia destruído a imagem a mando de espíritos e disse ter se arrependido posteriormente. A escultura ficava dentro de uma caixa de vidro na entrada da cidade.
Na ocasião, o caso foi tratado como de menor potencial ofensivo. O homem foi ouvido e liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), enquanto o machado utilizado na ação foi apreendido.
Nossa Senhora Aparecida é reconhecida oficialmente como Padroeira do Brasil pela Lei Federal nº 6.802, de 30 de junho de 1980, que também estabeleceu 12 de outubro como feriado nacional dedicado à santa.
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo componente religioso com a entrada de setores católicos no debate sobre a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). O tema ganhou força na noite desta quinta-feira (24), após a circulação de relatos de que, caso eleito, o presidenciável poderia supostamente atender a uma antiga reivindicação de segmentos evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ele nega qualquer movimento neste sentido.
Durante ato de campanha em Belém (PA), o presidente e candidato à reeleição Lula (PT) recebeu das mãos do ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará, e a ergueu diante do público. A manifestação ocorreu em meio à polêmica envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e uma notícia falsa sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Em outro momento do evento, Lula afirmou que, enquanto estiver à frente da Presidência, “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”. Flávio Bolsonaro nega ter defendido qualquer mudança no título e afirma que o conteúdo que o associa à medida é uma “fake news
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