Política

Imbróglio jurídico na Itália adia prisão de Carla Zambelli

Agência Brasil
Após deixar o Brasil, Zambelli se esconde na Itália, onde acredita estar a salvo da Justiça brasileira e da ordem de prisão do STF.  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 16/07/2025, às 09h56



Apesar do alerta da difusão vermelha da Interpol como procurada internacional, a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL) ainda não foi presa porque a Justiça da Itália, onde a parlamentar está foragida desde o início de junho, ainda não autorizou sua prisão. A informação foi dada pelo advogado Fábio Pagnozzi, da deputada à coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo. 

Ainda de acordo com o advogado de Zambelli, a parlamentar continua na Itália e não tem planos de deixar o país. 

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes  formalizou um pedido de extradição de Zambelli. O documento foi entregue ao Ministério da Justiça da Itália pela embaixada do Brasil em Roma. A Polícia Federal brasileira sabe onde a deputada estaria em Roma e já a polícia italiana. 

No entanto, segundo a legislação, há um impasse: mesmo sendo uma foragida internacional com mandado de prisão expedido em outro país, sem uma ordem formal de prisão dada pelo Judiciário local, Zambelli não será presa. A parlamentar tem cidadania italiana e pretende pedir para cumprir pena no país europeu. Porém, ainda não há prazo para a Justiça italiana atender ao pedido brasileiro de extradição.

O advogado de Zambelli disse ainda que não é procurada pela polícia italiana, apenas pela Interpol. A difusão vermelha da Interpol só é cumprida caso a deputada atravesse a fronteira de algum país. 

Zambelli fugiu do Brasil no dia 25 de maio após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão e à perda do mandato pelo envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o hacker Walter Delgatti. A deputada deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR). De Buenos Aires, ela embarcou para os Estados Unidos, onde anunciou a fuga em 3 de junho e que viajaria para a Itália , onde julgava que, por ter cidadania, seria “intocável”.

No entanto, Zambelli continuou precisando se esconder da Justiça brasileira depois que teve o seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, medida que só foi possível depois que Moraes determinar a prisão preventiva da deputada, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). 

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