Política

Itamaraty diz que assessor de Donald Trump omitiu e falsificou informações ao pedir visto para o Brasil

Departamento de Estado dos EUA/Divulgação
Revogação do visto foi justificada pelo Itamaraty devido a informações falsas apresentadas por Beattie durante a solicitação  |   Bnews - Divulgação Departamento de Estado dos EUA/Divulgação
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 13/03/2026, às 17h35



O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) informou, nesta sexta-feira (13), que o visto do assessor sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, foi revogado. Conforme o Itamaraty, o norte-americano apresentou “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita” ao Brasil.

Também nesta sexta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que Beattie estava proibido de entrar no país e mencionou a suspensão, pelos Estados Unidos, de vistos de ministros brasileiros e de seus familiares.

“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, justificou a pasta.

“Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar, e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, disse Lula.

A visita de Beattie ao Brasil foi revelada nesta semana, após a defesa de Jair Bolsonaro (PL) solicitar autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o diplomata visitasse o ex-presidente na Papudinha, onde ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.

O pedido chegou a ser aceito pelo ministro Alexandre de Moraes, que solicitou esclarecimentos ao Itamaraty sobre a visita. Dias depois, porém, Moraes revisou a decisão após o Ministério das Relações Exteriores informar que o assessor norte-americano não tinha agenda diplomática no país e que o visto havia sido concedido apenas para um compromisso privado.

A viagem, que incluiria encontros com Jair Bolsonaro e com o deputado Sóstenes Cavalcante, passou a ser interpretada como de interesse político. Após a repercussão, Lula elevou o tom contra o diplomata e o Itamaraty confirmou a revogação do visto do assessor ligado a Donald Trump.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)