Política
Publicado em 06/05/2026, às 10h11 - Atualizado às 10h12 Anderson Ramos (com informações de Victoria Alves, direto da China)
Alvo de críticas por conta da rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), se defendeu das acusações de que teria facilitado a derrota do indicado do presidente Lula na Casa.
Nos bastidores, circularam suspeitas de que ele teria atuado contra o Planalto, em alinhamento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para barrar Messias.
Em entrevista exclusiva ao BNews direto da China, onde acompanha a turnê da Orquestra Neojiba no país asiático, Jaques Wagner contou detalhes do processo de indicação do chefe da AGU para a Suprema Corte e criticou a reprovação.
"Todo mundo sabe que minha relação com Davi Alcolumbre ficou muito estremecida quando da escolha do presidente Lula pelo Jorge Messias, que o presidente da Casa era torcedor do Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal. Eu já disse a eles que eu não mando na cabeça do presidente, temos 48 anos de amizade, mas ele tomou a decisão, ele fez a escolha dele, não era para me consultar, não me consultou e escolheu o nome que ele queria. Minha obrigação como líder do governo é pegar a escolha do presidente, porque é direito dele e trazer para a sabatina. Infelizmente muita gente usou esse momento da sabatina para fazer política, ou seja, não interessava que ele era preparado como é, não interessava que a reputação dele é ilibada", comentou o senador.
Ele também deu sua versão sobre a conversa vazada com Alcolumbre na qual o presidente da Casa previu a derrota de Messias.
"Eu quando subi para mesa para falar com Davi, porque praticamente todo mundo nosso já tinha votado. Eu fui pedir a ele para abrir o painel e perguntei a ele qual era o placar que ele achava. Na minha cabeça, o placar seria 43 para nós e portanto ele estaria aprovado. Para minha surpresa, ele antes de abrir o painel disse: 'Vocês vão perder por oito'. Nós perdemos por sete. Tivemos 34 votos, precisávamos de 41 para aprová-lo", disse.
Conversa com Flávio
Na entrevista, Wagner ainda falou sobre a conversa que teve com o colega de parlamento e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), antes da votação no plenário.
O diálogo entre os dois foi analisado pelo especialista em leitura labial, Velloso, e viralizou nas redes sociais. O episódio alimentou as especulações de que o ex-governador da Bahia se aliou à oposição para o veto a Messias.
"Eu converso com todo mundo da oposição. Meu estilo, todo mundo sabe que é de diálogo, porque eu acho que a democracia depende de diálogo, mas infelizmente nós estamos vivendo em tempos que tudo é na porrada. Ninguém quer saber o que o outro pensa, ninguém quer saber as razões do outro. Todo mundo quer fazer a briga parecendo um ringue. Eu não vou entrar nessa. Eu acho que democracia é espaço de diálogo. Se minha ideia é melhor, cabe a mim convencer o outro que a minha ideia é melhor. Mas as pessoas não querem ouvir as ideias dos outros. É negócio de fanatizado, é de turma. Então, você tá com a minha turma ou tá com outra turma. Política quando vira risco no chão, acaba dando o que tá dando no mundo inteiro. Guerra para todo lado, porque você começa com a atrocidade, mas não sabe como ela vai terminar", justificou Wagner.
Ainda sobre as críticas, o senador disse estar com a consciência tranquila e garantiu que vai continuar na liderança do governo no Senado.
"Eu tô muito à vontade. Vou continuar do meu jeito, vou continuar conversando com todo mundo inclusive com alguns de dentro de casa que se aproveitaram e vivem de achar culpado. De qualquer forma, eu tô tranquilo. Falei com o presidente Lula ontem, já daqui da China, conversamos muito, eu tô muito tranquilo com a minha consciência e com o trabalho que eu fiz", disse.
Por fim, Wagner admitiu que houve traições no meio do caminho e voltou a lemantar a rejeição ao nome de Messias.
"No voto secreto, realmente o pessoal traiu e para mim é uma tristeza, porque machucaram um jovem, Jorge Messias, que não merecia nada disso por conta de uma briga pré-eleitoral em função das eleições", pontuou.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Super desconto
Imperdível
Despencou o preço
Limpeza inteligente