Política

Jornalista que investigou familiares de Flávio Dino fica em silêncio em depoimento à PF

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Luiz Pablo é investigado após Flávio Dino acionar a Polícia Federal, com o caso sendo encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes no STF  |   Bnews - Divulgação motagem bnews
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 13/03/2026, às 16h30



O jornalista maranhense Luiz Pablo Almeida, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) após produzir reportagens sobre o ministro Flávio Dino, optou pelo silêncio durante depoimento à Polícia Federal do Brasil (PF), realizado nesta sexta-feira (13).

Pablo decidiu permanecer em silêncio após ser informado pela PF de que, como jornalista, teria o direito constitucional de preservar o sigilo da fonte. Ele foi ouvido na condição de investigado por suposto crime de perseguição.

“INFORMADO de que, na qualidade de jornalista, tem o direito constitucional de preservação do sigilo da fonte, bem como de que está sendo inquirido na qualidade de investigado, podendo ao final ser acusado do crime de perseguição, tipificado no art. 147-A do Código Penal, tendo, portanto, direito de permanecer em silêncio, não respondendo às perguntas sobre os fatos apurados, e PERGUNTADO se pretende exercer tal direito; RESPONDEU que pretende permanecer em silêncio”, diz trecho do depoimento do jornalista, ao qual a coluna teve acesso.

A oitiva de Pablo foi conduzida pelo delegado da Polícia Federal Antonio Carlos Knoll de Carvalho, que já atuou em outros inquéritos relatados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Em dezembro de 2025, o delegado também solicitou o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro após a descoberta de documentos ligados à trama golpista em cofres do Palácio da Alvorada.

Um mês antes, em novembro, Antonio Carlos Knoll de Carvalho foi promovido na Polícia Federal para o cargo de chefe da Divisão de Segurança Ativa e Polícia Judiciária, vinculada à Coordenação-Geral de Proteção Preventiva da Diretoria de Proteção à Pessoa da corporação.

O depoimento de Pablo ocorre três dias após ele ser alvo de busca e apreensão por publicar reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares de Flávio Dino.

O jornalista passou a ser investigado após o próprio Flávio Dino acionar a Polícia Federal. O caso foi inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin no STF, mas ele decidiu encaminhá-lo a Alexandre de Moraes por entender que a denúncia poderia estar relacionada ao Inquérito das Fake News, aberto em 2019 para investigar ataques contra ministros da Corte.

Apesar de Moraes ter mencionado essa relação no despacho que autorizou a operação contra o jornalista, o STF afirma que o inquérito contra Pablo é separado do Inquérito das Fake News. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi favorável à operação, ao apontar “fortes elementos” de obtenção ilícita de informações reservadas relacionadas a Flávio Dino.

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