Política
por Thiago Teixeira
Publicado em 21/01/2026, às 17h30 - Atualizado às 17h50
Poucos mais de uma semana após a deflagração da nova fase da Operação Overclean, na última terça-feira (13), que teve o deputado federal e presidente do PDT na Bahia, Félix Mendonça Jr., como um dos alvos, o clima dentro do PDT da Bahia é de absoluto silêncio.
A investigação da Polícia Federal (PF) que apura indícios de desvio de emendas parlamentares virou praticamente um tabu entre dirigentes e correligionários. Em conversas com o BNews, membros do partido revelaram que o assunto é evitado em conversas formais e informais.
Lideranças pedetistas têm adotado postura cautelosa, evitando comentários públicos ou avaliações internas mais contundentes sobre o impacto da operação. De acordo com relatos à reportagem, apesar de não haver uma orientação tácita, o ideal é não "esticar o assunto" e aguardar os desdobramentos das investigações.
Nos bastidores, a sensação é de constrangimento. Apesar disso, integrantes do PDT desconversam sobre um possível desgaste com Félix Mendonça Jr. e reforçaram apoio ao parlamentar — apesar de alguns membros do partido demonstrarem preocupação com possíveis reflexos eleitorais.
Internamente, a Overclean colocou uma 'pimenta' a mais dentro da sigla, que já vive uma clima de racha após o rompimento com o União Brasil e a ida para a base do governo Jerônimo Rodrigues, justamente por ainda possuir muitos membros com forte aliança junto ao grupo político de ACM Neto.
Em nota enviada ao BNews no última dia 13, o Félix Mendonça Jr. afirmou que reagiu com estranheza à operação, "especialmente diante da inexistência de fatos novos que justifiquem a medida". (Confira o posicionamento de Félix Mendonça Jr. na íntegra).
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), na última terça-feira (13), como parte da nona fase da Operação Overclean. Agentes da PF foram ao apartamento funcional que o deputado usa em Brasília. A ordem veio do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mandados também foram cumpridos em sua residência, na Mansão Wildberger, edifício residencial de luxo localizado no Corredor da Vitória, e em seu escritório, na região da Vasco da Gama, em Salvador.
A investigação apura desvio de dinheiro público de emendas parlamentares, além de suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal, junto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpre nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal.
Por decisão do STF, também foram bloqueados R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e empresas investigadas na operação. O objetivo é parar a movimentação desse dinheiro de origem suspeita e garantir que ele possa ser devolvido aos cofres públicos, se for o caso.
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