Política
por Claudia Cardozo
Publicado em 23/01/2026, às 17h32 - Atualizado às 18h26
Em entrevista ao BNews durante o Encontro Nacional do MST, em Salvador, a vice-presidente nacional da União Baiana dos Estudantes Secundaristas (UBES), Morena Torres, subiu o tom contra a gestão municipal e o atual cenário do transporte público. Para a líder estudantil, a capital baiana vive um processo de "sucateamento programado" que afeta diretamente o acesso à educação.
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Questionada sobre um suposto silenciamento do movimento estudantil, em comparação à histórica "Revolta do Buzu" de 2003, Morena foi enfática ao apontar o que chama de estratégia política para esvaziar as ruas. Segundo ela, as prefeituras de viés "carlista", como Salvador e Feira de Santana, têm escolhido períodos estratégicos para aplicar os reajustes.
"O aumento da passagem agora acontece no período de Ano Novo, quando as escolas não estão abertas e as universidades estão em recesso. É muito mais difícil fazer o debate qualificado com o povo soteropolitano quando os estudantes não estão ocupando os equipamentos de educação. Esse é o projeto de Bruno Reis", disparou a vice-presidente da UBES.
A crítica de Morena Torres também mirou o repasse de verbas públicas para as concessionárias de transporte. Para a líder estudantil baiana, há um desequilíbrio gritante entre o montante investido e a qualidade do serviço entregue à população.
"O que não dá é para a gente ter mais de R$ 67 milhões de subsídios designados para os empresários do transporte e não ter nada para o povo soteropolitano. A gente vê a frota ser diminuída e o sucateamento do transporte público da capital ser cada vez maior", afirmou.
Segundo Morena, a mobilidade da cidade hoje só não entrou em colapso total devido às intervenções do Governo do Estado, citando o metrô e o projeto do VLT. "O transporte rodoviário está sucateado. Quem está com fome ou sem dinheiro para a passagem não consegue se movimentar nem repudiar. É uma política de silenciamento pelo cansaço."
Apesar das dificuldades de articulação durante as férias escolares, a vice-presidente da UBES garantiu que o movimento não está parado. Ela relembrou ações recentes na Estação da Lapa, onde estudantes chegaram a abrir as catracas como forma de protesto, além de mobilizações durante a Lavagem do Bonfim.
"O povo trabalhador está sendo empurrado para uma situação onde não tem tempo nem disposição para se manifestar. Mas a UBES é todo e qualquer estudante organizado nos quatro cantos do país. Não vamos aceitar que a tarifa suba enquanto a qualidade do ônibus desce", concluiu.
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