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Negócio de pai para filho no BRB vira "esqueleto" e pode entrar em delação de ex-presidente

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O Banco Central chegou a bloquear a transferência de capital porque encontrou problemas na comprovação da origem do dinheiro  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 11/05/2026, às 07h13



Durante a gestão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o banco fez um negócio com um empresário próximo de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Dentro do banco e no Banco Central, essa transação é vista como um “esqueleto” deixado pela administração anterior.

Agora, ela pode se tornar parte da delação premiada que Paulo Henrique Costa quer fazer com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No acordo, o BRB vendeu 49% da BRB Financeira para um grupo de investidores comandado por José Ricardo Lemos Rezek, dono de empresas nos setores imobiliário e agropecuário, entre outros.

Em troca, o grupo se comprometeu a pagar R$ 320 milhões em 10 parcelas anuais. Porém, segundo fontes ouvidas pelo O Globo , a financeira tinha lucros de cerca de R$ 90 milhões por ano. Isso significa que os compradores receberiam de volta mais dinheiro do que pagariam, ou seja, o negócio sairia praticamente de graça para eles.

O acordo foi divulgado em um fato relevante no dia 31 de março de 2025, três dias depois de o BRB anunciar a compra do Master. As conversas começaram em julho de 2024.

Rezek é amigo de Antonio Rueda e esteve na festa de 50 anos dele em Mykonos, na Grécia, no ano passado. Em 2023, o pai de Rezek, também chamado José Ricardo Rezek, doou R$ 1,5 milhão ao Diretório Nacional do União Brasil, conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O pai ainda vendeu uma aeronave para uma empresa investigada pela Polícia Federal. A operação é suspeita de ter sido usada para esconder o verdadeiro dono, que seria Rueda, segundo as investigações. Ele nega.

De acordo com cinco fontes que acompanharam as discussões, o negócio encontrou resistências tanto dentro quanto fora do BRB.

O Banco Central chegou a bloquear a transferência de capital porque encontrou problemas na comprovação da origem do dinheiro usado na compra. O grupo de Rezek recorreu, mas o BC não chegou a dar a palavra final sobre o caso

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