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OIT investiga uso inadequado de recursos públicos em projetos no Brasil financiados pelo MPT

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Troca de emails entre OIT e MPT expõe a paralisação de projetos e a necessidade de esclarecimentos sobre o uso de recursos  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 15/01/2025, às 08h23 - Atualizado às 08h43



Uma investigação sigilosa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) com sede em Genebra, na Suíça, apura a "utilização inadequada" de dinheiro público em projetos no Brasil financiados com verbas destinadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

A investigação foi revelada por meio de uma troca de emails entre representantes das duas instituições que o portal Uol teve acesso. O escritório brasileiro da OIT e do MPT firmaram uma parceria em 2017 para promover o "trabalho digno" com a realização de cursos de capacitação profissional.

As atividades são geridas pela agência da ONU com recursos financeiros obtidos por procuradores do trabalho em decisões judiciais, como verbas provenientes de indenizações e multas. A OIT usa esse dinheiro para pagar os profissionais que implementam as atividades.

O "Àwúre" (que significa "benção" em iorubá), um dos projetos da parceria, que tem como público-alvo membros de comunidades indígenas e quilombolas, teve repassado pelo MPT para a OIT R$ 23 milhões entre os anos de 2018 e 2024, de acordo com documentos oficiais do órgão brasileiro. Foram repassados por procuradores do trabalho à OIT também mais R$ 30 milhões para realização de outros projetos.

No entanto, segundo procuradores do trabalho, as atividades do Àwúre começaram a ser paralisadas pela OIT, a partir do segundo semestre de 2023, sem que o motivo fosse esclarecido. Cursos de capacitação profissional em comunidades indígenas na região Norte do Brasil e em vila de pescadores do litoral baiano, além de auxílios humanitários a povos tradicionais do Rio Grande do Sul e aos Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, foram algumas das atividades e benefícios suspensos.

A subprocuradora-geral do Trabalho Edelamare Barbosa Melo enviou em 1º de julho de 2024 por email um ofício à diretoria da OIT questionando a paralisação das atividades e exigindo providências. O email foi respondido dias depois pela diretora regional da OIT para América Latina e o Caribe, Ana Virginia Moreira Gomes, que o escritório fica em Lima, no Peru, no qual ela afirma que a OIT "está conduzindo atualmente uma investigação interna sobre alegações feitas a respeito da utilização inadequada dos fundos do projeto [Àwúre] e da subversão dos controles internos".

Segundo o portal Uol, seis meses depois da troca de emails, ainda não se sabe o resultado da investigação interna da OIT, que está sendo acompanhada de perto pelo  diretor-geral da agência, Gilbert Houngbo. Uma funcionária da OIT que coordenava os trabalhos financiados pelo MPT foi afastada. Outros dois funcionários da cúpula do escritório brasileiro da OIT são investigados.

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