Política
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", interferiu na indicação de secretários na Prefeitura de Belo Horizonte (MG).
A apuração faz parte da Operação Overclean, que investiga desvios milionários de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e contratos com órgãos públicos. Moura, alvo da terceira fase da operação deflagrada em 3 de abril, é suspeito de obstrução da Justiça. O caso já está no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
As conversas, extraídas de seu celular, mostram negociações diretas com o então prefeito Fuad Noman (morto em março de 2025) para garantir o comando da Secretaria de Educação, posteriormente ocupada por Bruno Barral, exonerado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Barral foi secretário da Educação na prefeitura de Salvador, na gestão do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).
“A representação aponta, por fim, possível interferência da organização criminosa na Prefeitura de Belo Horizonte. Aduz a autoridade policial, a propósito, que a análise do celular apreendido em poder de Marcos Moura revelou conversas, por meio do WhatsApp, com o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, sobre a formação das novas secretarias do município”, diz trecho da decisão obtida pelo colunista Fábio Serapião, do Metrópoles.
Ainda de acordo com o colunista, investigadores da PF identificaram que Fuad chegou a oferecer a Moura outras pastas, como a de Combate à Fome, mas o empresário insistiu na Secretaria de Educação. Nas conversas, Moura afirma que consultaria lideranças políticas como Antônio Rueda (presidente do União Brasil) e ACM Neto, demonstrando articulações em alto nível.
“Durante a negociação, Fuad Noman pede que Marcos Moura ‘abra mão’ do governo, ao que Marcos solicita tempo para consultar Antônio Rueda (presidente do União Brasil) e ACM Neto, demonstrando a articulação política de alto nível do grupo. A conversa encerra-se em 3 de dezembro de 2024, com Marcos Moura solicitando uma reunião presencial com o prefeito”, diz trecho da decisão.
A operação também mira contratos milionários firmados entre 2021 e 2024 com recursos oriundos do chamado "orçamento secreto", que beneficiaram empresas dos irmãos Alex e Fabio Parente. Uma dessas empresas, a Allpha Pavimentações, recebeu mais de R$ 67 milhões do governo federal. Documentos foram apreendidos em dezembro de 2024 em uma ação da PF num avião vindo de Salvador para Brasília.
A segunda fase da Overclean prendeu nomes ligados ao grupo investigado, incluindo autoridades da Bahia. Após a descoberta de indícios contra o deputado Elmar Nascimento (União Brasil), o inquérito subiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) em janeiro de 2025.
A Prefeitura de BH informou que Bruno Barral foi exonerado em 3 de abril. A defesa de Moura não se manifestou até o momento.
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