Política

Oposição cobra governo Milei por suposta rota de fuga de Flávio Bolsonaro pela Argentina

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Governo argentino é cobrado após confirmar entrada de Flávio Bolsonaro no país rumo aos EUA, deputados acionam Câmara e Justiça.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Agência Brasil
Gabriel Dinis

por Gabriel Dinis

Publicado em 28/10/2026, às 09h19 - Atualizado às 10h15



Setores da oposição no Congresso argentino protocolaram formalmente na Câmara dos Deputados um pedido de informações ao Poder Executivo para esclarecer as circunstâncias da passagem de Flávio Bolsonaro pelo território do país a caminho dos Estados Unidos. A iniciativa mira diretamente o governo de Javier Milei e cobra detalhes sobre a fiscalização migratória e a decolagem de voos privados.

O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Esteban Paulón e recebeu adesão de outras bancadas oposicionistas, como a União pela Pátria (peronista) e blocos de esquerda. A movimentação parlamentar ocorre após reportagens apontarem que o senador brasileiro teria utilizado a região de Puerto Iguazú, na província de Misiones, como ponto de conexão para embarcar em um táxi aéreo com destino à Flórida (EUA), contornando as determinações da Justiça brasileira para a entrega de seus passaportes.

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A movimentação em solo argentino ocorre em meio à reconstituição dos passos dados pelo senador brasileiro para deixar a América do Sul. De acordo com as investigações, Flávio Bolsonaro chegou ao Equador após fugir do Brasil e cruzar a pé a fronteira com a Argentina, onde embarcou em um táxi aéreo com destino à Flórida (EUA) em meio a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) para a retenção de seus passaportes.

Registros oficiais de fronteira e plano de voo

A confirmação da rota foi detalhada em comunicado oficial divulgado pelo perfil institucional da Direção Nacional de Migrações no ‘X’ (antigo Twitter). De acordo com o órgão, Flávio Nantes Bolsonaro, sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas ingressaram em solo argentino às 22h50 do dia 27 de outubro, pelo posto aduaneiro da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones.

Segundo a autoridade migratória argentina, o grupo apresentou documentação de viagem válida e, no momento da checagem nos sistemas de fronteira, não constava qualquer alerta restritivo ou impedimento judicial expedido contra eles nos registros locais. Apenas 40 minutos após a entrada, às 23h30, a família decolou do aeroporto de Puerto Iguazú a bordo de uma aeronave executiva da empresa Baires Fly S.A., tendo como escala inicial declarada a cidade de Guayaquil, no Equador.

Denúncia penal e repercussão internacional

A reação mais contundente no parlamento argentino partiu da deputada nacional Marcela Pagano, que oficializou uma denúncia penal na Justiça Federal de Puerto Iguazú. Ao divulgar na rede social X a primeira página da petição encaminhada aos tribunais, a congressista afirmou que a fronteira do país "não é corredor VIP de ninguém" e exigiu a apreensão imediata das imagens de segurança da aduana e do aeroporto, além do plano de voo e dos contratos da aeronave privada, para apurar se agentes estatais prevaricaram ou facilitaram a rota de fuga do senador brasileiro:

Para os parlamentares que questionam a operação, as afinidades ideológicas declaradas entre a gestão Milei e a família Bolsonaro não podem se sobrepor aos protocolos internacionais de segurança aduaneira nem desgastar as relações diplomáticas com o Brasil.

O episódio ganhou ainda mais peso no cenário externo após declarações vindas de Washington. No plano internacional, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump diz que aprova entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA e afirma que senador estava na Argentina, posicionamento que elevou a temperatura das cobranças por esclarecimentos e aumentou o desgaste diplomático na capital argentina.

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