Política

Otto Alencar diz que “economistas de gabinete” apostaram no fracasso de Lula: 'Faria Lima fez miséria para dar errado'

Matheus Simoni / BNEWS
Senador critica a 'torcida organizada' do mercado e apresenta dados que contradizem previsões pessimistas sobre a economia brasileira  |   Bnews - Divulgação Matheus Simoni / BNEWS
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 04/02/2026, às 08h32 - Atualizado às 08h40



O senador Otto Alencar (PSD-BA) fez duras críticas ao que classificou como uma atuação explícita do mercado financeiro contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista ao apresentador Zé Eduardo, na Rádio Baiana, transmitida também pela BNews TV.

Segundo o parlamentar, houve uma “torcida organizada” para que a gestão federal fracassasse, especialmente a partir de setores ligados à Faria Lima, em São Paulo, mas os resultados econômicos acabaram contrariando as previsões mais pessimistas.

“Eu acho que se torceu muito para dar tudo errado no governo do Lula. Aquela Faria Lima, aqueles caras do mercado, eles fizeram miséria para dar errado”, disparou Otto. Para o senador, a narrativa negativa foi constante desde o início do mandato. “Dizia todo dia: o mercado está nervoso, o mercado está aqui. Então, tudo ao contrário”, completou.

Otto Alencar citou uma série de indicadores econômicos para sustentar o argumento de que as projeções do mercado não se confirmaram. Um dos exemplos foi o câmbio.

“O mercado projetou o dólar de 7 reais, está 5,26”, afirmou. Na mesma linha, mencionou o desempenho da Bolsa de Valores. “O mercado projetou que a bolsa ia para a bacia das almas. Cresceu como nunca cresceu agora, está a 180 pontos. Cresceu muito.”

O senador também destacou o desempenho da balança comercial brasileira, mesmo diante de um cenário internacional adverso. “O mercado achava que com o tarifasso do Trump nós tínhamos uma balança comercial deficitária. A balança comercial, mesmo contrária e difícil, fechou com superávit de 68 bilhões de dólares”, ressaltou.

Outro ponto citado foi a inflação. De acordo com Otto, houve uma tentativa de criar um clima de descontrole inflacionário que não se concretizou. “A inflação, que diziam que ia para 7, ficou dentro da meta, 4,2. Ficou dentro da meta que se desejava”, disse. Para ele, houve também avanço na renda das famílias. “A renda das famílias aumentou, sem dúvida.”

No campo fiscal, o senador reconheceu que o governo não fechou o período com superávit, mas minimizou o impacto. “Teve um déficit, mas um déficit completamente suportável, dentro daquilo que estabelece o arcabouço fiscal”, afirmou. Na avaliação de Otto, os resultados “contrariaram completamente os economistas de gabinete, que torcem pelo mercado”.

Apesar da defesa enfática do governo Lula, o senador apontou problemas que, segundo ele, ainda precisam ser enfrentados. Um deles é o nível elevado da taxa Selic. “A única coisa que pegou é que nós estamos terminando não com juros de 15% da taxa Selic, que é altíssima, muito alta”, criticou.

Outro tema abordado foi o alto endividamento das famílias brasileiras. Otto relacionou o problema às consequências da pandemia da Covid-19. “As pessoas ficavam em casa, não dava para trabalhar, não dava para fazer hora extra. O boleto chegando, o boleto chegando”, lembrou. Segundo ele, muitos recorreram a empréstimos para sobreviver e agora enfrentam pagamentos longos, que se estendem por três, quatro ou cinco anos.

O senador citou o programa Desenrola, aprovado no Senado, como uma tentativa de aliviar a situação, mas avaliou que a medida ainda é insuficiente. “Fez o Desenrola, mas não resolveu”, disse. Otto defendeu uma atuação mais ativa dos bancos públicos. “Eu acho que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica deveriam chamar esse pessoal e dizer: você vai pagar menos juros e eu vou alongar essa dívida.”

Ao final, Otto Alencar alertou para o peso social do problema. “Quarenta por cento da família brasileira está em dívida, e isso pesa bastante”, concluiu.

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