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PF revela como Vorcaro transformou Banco Master em “fábrica de dinheiro”; confira

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O Banco Master arrecadou mais de R$ 50 bilhões através de operações fraudulentas, segundo investigações recentes.  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 08/03/2026, às 10h22 - Atualizado às 10h22



O empresário Daniel Vorcaro transformou o Banco Master em uma fábrica de fazer dinheiro e transferiu recursos do banco para o próprio bolso.  As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) descobriram que identificaram o ex-banqueiro não o único a se beneficiar do esquema. As investigações são do jornal Folha de São Paulo.

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Entre as pessoas que se beneficiaram com o esquema está Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro. As investigações identificaram uma conta bancária no nome dele com um saldo de mais de R$ 2,2 bilhões. A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas na última quarta-feira (4), que culminaram na segunda prisão do prenderam o ex-banqueiro.

Na ocasião, a defesa de Henrique Vorcaro negou que a “conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade".

Além de Henrique, as apurações identificaram que os recursos do Master foram desviados para contas da irmã do banqueiro, Natalia, um primo, Felipe, e três parentes de João Carlos Mansur, o dono da administradora de recursos Reag, que o Master abrigava fundos de investimento.

Em geral, o dinheiro era transferido através da venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), falsos empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento. O dinheiro saía via plataformas de investimento para pessoas físicas, com a promessa de remuneração acima da média de outros bancos. Com esse esquema, o Master conseguiu arrecadar mais de R$ 50 bilhões.

Essa quantia era transferida para fundos de crédito que tinham o Master como único investidor. Já dentro desses fundos, o recurso era emprestado para empresas ligadas a Vorcaro e seus sócios. Não havia investimento real, como ampliação de fábricas; era apenas uma ponte para o dinheiro sair do banco e chegar aos CPFs dos envolvidos.

Um caso que chamou a atenção dos investigadores foi o da Clínica Mais Médico. O pequeno empreendimento tem cerca de R$ 361,1 milhões de fundo controlado pelo Master. Por trás da clínica, estava um "laranja" que dava plenos poderes a uma pessoa ligada à família Vorcaro.

"A extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas mediante a participação coordenada do Banco Master e da Reag DTVM, possuindo o objetivo comum de desviar recursos do conglomerado Master para outros veículos com destinação alheia aos interesses da instituição", mostra a investigação.

Para manter o esquema, o Master também infla os ativos do banco, o conjunto de bens da instituição, como imóveis, aplicações e a carteira de crédito. O banco comprava ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), hoje sem valor, e os colocava em fundos da Reag.

Os fundos valorizavam os papéis de forma artificial. Em seus balanços, o Master "engordava" no papel, permitindo que eles emitissem ainda mais CDBs e atraíssem mais vítimas.

"A informação policial demonstrou o aproveitamento de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, com o uso de fundos de investimento para circulação de ativos sem liquidez, artificialmente precificados, e reiteradas operações entre partes relacionadas", diz a investigação.

Para especialistas, a prática descrita pela investigação configura-se gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Se condenados, os envolvidos podem enfrentar penas pesadas que vão de três a 12 anos de reclusão para o crime de gestão fraudulenta e de três a 10 anos de prisão, com agravantes caso fique provada a atuação de organização criminosa, para a lavagem de dinheiro. 

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