Política

Quem são e como agiam delegada e marido que ajudavam a ‘Turma’ de Vorcaro enquanto apagavam rastros do crime

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Casal é suspeito de repassar informações da Polícia Federal e apagar rastros em esquema ligado ao grupo de Daniel Vorcaro  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 14/05/2026, às 10h33



A delegada da Polícia Federal (PF), Valéria Vieira Pereira da Silva, e o marido, o agente federal aposentado, Francisco José Pereira da Silva, são apontados por investigadores como responsáveis por abastecer com informações sigilosas o grupo “A Turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

As informações estão em decisão judicial obtida pelo BNEWS e proferida pelo ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). Na sexta fase da operação, é investigada a atuação de uma rede usada para monitorar alvos e antecipar investigações. 

Lotada desde 2006 na Delegacia de Polícia Fazendária em Minas Gerais (DELEFAZ/MG), Valéria é apontada como peça de acesso, alguém que consultava investigações sigilosas sem relação com sua função e fazia a informação chegar aos operadores de Vorcaro. 

O intermediário era o próprio marido que repassava as informações sigilosas para Marilson Roseno da Silva, agente de Polícia Federal aposentado e líder do núcleo batizado como "A Turma". O grupo já foi descrito em fases anteriores da operação como responsável por monitoramento de alvos, obtenção de informações e ações de pressão.

O caminho da informação
Valéria acessava o sistema e-Pol para acompanhar investigações de interesse do grupo. Um desses acessos chamou atenção dos investigadores: um inquérito conduzido pela Superintendência da PF em São Paulo, sem qualquer vínculo com sua lotação em Minas.

O registro está na petição: “acessou, sem justificativa funcional, o Inquérito Policial nº 2023.0064343 [...] embora estivesse lotada, desde 2006, na Delegacia de Polícia Fazendária em Minas Gerais, sem qualquer atribuição relacionada ao procedimento”.

Depois da consulta, o dado não ficava parado. Ainda conforme a decisão, “Valéria teria consultado o procedimento e repassado, diretamente ou por intermédio de Francisco, dados relevantes a Marilson”.

O papel do marido: reduzir rastros
A investigação não encontrou diálogo direto entre a delegada e Marilson. No entanto, na petição é destacado que “Francisco teria atuado como intermediador, reduzindo rastros diretos da participação da delegada”.

Na prática, ele funcionava como ponte. Recebia o conteúdo, fazia o trânsito e evitava que o elo mais sensível, o acesso dentro da PF, aparecesse de forma explícita nas comunicações.

Há ainda indícios de cuidado adicional: “foram identificados vínculos de proximidade e confiança entre o casal e Marilson, além de indícios de exclusão de conversas”.

A utilidade estratégica
O que era repassado não era genérico, segundo os investigadores. “O conteúdo compartilhado teria sido suficientemente detalhado, permitindo a identificação do objeto da investigação e de pessoas efetivamente visadas”, diz o documento.

Na prática, isso dava vantagem a quem estava do outro lado. Saber o que está sendo investigado, quem está no radar e em que fase está um inquérito muda completamente o jogo, permitindo antecipar movimentos, ajustar versões, apagar rastros.

É esse tipo de acesso que, na avaliação dos investigadores, abriu espaço para a infiltração do grupo em “circuitos informacionais sensíveis”.

Medidas e restrições
Diante do que foi reunido, o ministro determinou o afastamento de Valéria da função pública. Ela e o marido estão proibidos de acessar dependências da Polícia Federal e de manter contato com outros servidores, da ativa ou aposentados. Há ainda restrição para sair da comarca onde residem e do país.

Classificação Indicativa: Livre

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