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Racismo na Bahia: Ex-cônsul da França denuncia ataques discriminatórios e batalha judicial para punir culpado

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O ex-cônsul honorário da França relata agressões e luta por reconhecimento da gravidade do racismo enfrentado  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 27/01/2025, às 10h34 - Atualizado às 10h35



O franco-senegalês Mamadou Gaye, ex-cônsul honorário da França na Bahia, trouxe a público ataques racistas que sofreu em território baiano e a verdadeira batalha judicial que enfrentou para buscar reparação por conta da injúria racial que sofreu enquanto ocupava o cargo diplomático, entre 2023 e 2024.

Segundo Gaye, que foi cônsul honorário da França entre 2019 e 2024, as agressões começaram em maio de 2023, após ter negado um requerimento de cidadania francesa a Fabien Liquori, um homem residente na Bahia

Liquori havia feito um pedido que não podia ser resolvido e nem atendido pelo consulado e, ao negar, Mamadou Gaye passou a ser vítima de diversos ataques por e-mail, incluindo ofensas e apontamentos em relação a sua competência. 

Cinco meses depois, em outubro de 2023, Fabien Liquori chamou Gaye de “tirano africano” e mandou uma mensagem mandando ele “voltar ao seu buraco parisiense”. 

Batalha judicial

Mesmo diante da gravidade dos ataques, no processo movido pelo ex-cônsul por injúria racial, em janeiro de 2024 o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) condenou o agressor a pagar indenização por danos morais no valor R$ 3 mil. Entrtanto não se pronunciou sobre o pedido de retratação pública também feito por Gaye.

Por conta do valor baixo e do pedido de retratação que não foi analisado, Gaye recorreu da sentença, mas uma nova decisão, dessa vez de dezembro de 2024, manteve a quantia e de novo deixou exigir que Fabien Liquori se retratasse publicamente.

“Foi uma violência. A Justiça disse que o que aconteceu comigo não tem importância, que o que eu senti não tem gravidade. Essa pessoa está protegida, e eu estou aqui tentando buscar justiça”, afirmou Gaye ao portal Metrópoles.

Ainda de acordo com ele, o valor da indenização não condiz com a gravidade do ataque e por isso vai continuar reccorendo, inclusive acionando grupo do Ministério Público de combate ao racismo.

Em uma publicação nas redes sociais, ex-cônsul honorário da França na Bahia afirmou que não se trata de disputa pessoal, mas de um caso sério de racismo.

“O racismo não tem explicação. Ele é absurdo”, afirmou ele em um manifesto de resistência.

A Aliança Francesa, instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é a promoção da língua e da cultura francesa fora da França, emitiu uma nota se solidarizando com Gaye e condenado com veemência o episódio de discriminação. 

O Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (UFBA) destacou a importância do debate contínuo  sobre o racismo e apontou a necessidade de sanções mais rigorosas. 

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