Política
A distribuição dos recursos do fundo eleitoral pelo PL na Bahia tem provocado insatisfação entre candidatos e integrantes da legenda. O principal questionamento envolve a diferença entre os valores destinados a candidaturas à Câmara dos Deputados, especialmente quando comparados os recursos recebidos pela deputada federal Roberta Roma e por Raíssa Soares, que disputa uma vaga na Casa pela primeira vez.
Candidata à reeleição, Roberta Roma recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), valor 6,2 vezes superior aos R$ 500 mil destinados até agora a Raíssa. O repasse para Raíssa foi realizado em 25 de agosto pela Direção Nacional do PL. Os dados constam das prestações de contas eleitorais disponíveis até esta quarta-feira (2) e ainda podem sofrer alterações com novos repasses.
A diferença é questionada por fontes do próprio PL ouvidas pela reportagem, que demonstram insatisfação com os critérios utilizados pela legenda para distribuir os recursos. O cenário ganha peso porque Raíssa Soares apresentou desempenho eleitoral superior ao de João Roma na eleição de 2022. Naquele ano, ela disputou o Senado e recebeu 1.057.085 votos, o equivalente a 14,61% dos votos válidos na Bahia.
Roma, que atualmente preside o PL baiano e é marido de Roberta, concorreu ao governo do Estado em 2022 e obteve 738.311 votos, ou 9,08% dos votos válidos. Na comparação direta, Raíssa recebeu 318.774 votos a mais que Roma. A diferença é apontada internamente por integrantes do partido como um dos elementos que deveriam ser considerados na definição do potencial eleitoral de cada candidatura. Daí, como pontuou um bolsonarista, "a questão não é Roberta receber o teto; Alden, que é bolsonarista, também recebeu. A questão é Raíssa ficar tão abaixo do teto".
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda decidiu destinar cerca de R$ 3 milhões aos deputados federais que disputam a reeleição. Roberta Roma recebeu R$ 3,1 milhões, mesmo valor destinado a Capitão Alden, também candidato à renovação do mandato. Para os demais candidatos, segundo Valdemar, a definição dos recursos levaria em consideração o potencial eleitoral de cada nome. “Depende do potencial”, declarou.
Entre os candidatos que não possuem mandato, Raíssa não é a única a receber um valor inferior ao destinado aos deputados que buscam a reeleição. Constança Docelar recebeu R$ 300 mil do fundo eleitoral. Jair Renan Bolsonaro, que disputa uma vaga de deputado federal por Santa Catarina, recebeu R$ 1,5 milhão, enquanto Padre Kelmon, candidato em São Paulo, teve R$ 1,2 milhão destinados pelo partido. Raíssa concorreu uma única vez anteriormente, em 2022, quando disputou o Senado.
Outro caso que chama atenção dentro do PL baiano é o de Jonga Bacelar. Candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, ele não recebeu recursos do partido até o momento. Segundo fontes da legenda, a decisão estaria relacionada a fotografias nas quais o parlamentar aparece ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), inclusive usando uma camisa com o número 13. A situação é tratada internamente como uma demonstração de descontentamento da direção partidária com a postura do candidato.
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