Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 03/09/2026, às 05h40 Editoria de Política
O Dendê de Vorcaro
O que já vazou do banqueiro do Master na Bahia não é souvenir de Trancoso. É infraestrutura. Antes da capa de revista e da liquidação, a praça baiana deu escala: consignado na folha do servidor, privatização de rede estatal, exclusividade que virou máquina de captação. Depois veio o resto do kit: consultoria com nota, advocacia de porta de tribunal, secretaria no caminho, gabinete no meio da emenda, imóvel de luxo no litoral sul, festa com vista para quem assina. A Operação Compliance Zero não atravessou a Bahia. Usou a Bahia. A lista impressa até agora é recorte, não planilha. Um lado apenas do Palácio. O outro é balcão. Tem operador local, advogado, parente no beach club, intermediário de apartamento. Quem reduz o mapa a dois sobrenomes de jornal ainda não leu o celular. A investigação tem uma biblioteca para catalogar. Celular, Coaf, fundo, offshore e fase nova continuam evoluindo. O que a papelada pública já mostra basta para tirar o Estado do papel de cartão-postal. O que o corredor já murmura é outra página: sobrenomes que ainda não foram à manchete e já trocaram o uísque pelo comprimido estão entre políticos e empresários que já não conseguem dormir sem um Rivotril. Há quem diga que três novos capítulos estão prontos para serem exibidos ao público e há risco efetivo de mudar o tabuleiro dos principais cargos eleitorais para a eleição de outubro na Bahia.
Conexão Master-Bahia
Um influente e experiente político baiano virou alvo das investidas de um advogado que adora posar de articulador de peso, mas que nos bastidores é conhecido mesmo pela mania de se mostrar muito maior do que realmente é. Ligado diretamente a Daniel Vorcaro, o mandachuva do Banco Master, o causídico resolveu surfar em uma relação de longuíssima data com o cacique da Bahia para tentar promover uma ponte de altíssimo escalão. A cartada do operador foi convidar o veterano para sentar à mesma mesa com Vorcaro e um ministro do STF. Se o político aceitou a fatura desse cafezinho indigesto ou preferiu manter prudente distância das megalomanias do Master, os bastidores de Brasília e Salvador ainda tentam decifrar.

Mão baiana
O PT da Bahia entrou na conversa do caso Master de um jeito nada discreto. Uma mensagem enviada a Lula por meio de interlocutores teria feito uma cobrança curiosa: “O PT da Bahia tá na nossa mão”. Com isso, o presidente deve adotar uma postura discreta ao comentar o tema, defendendo apenas as instituições e a presunção de inocência, sem tomar um lado.
Paella azeda
O advogado da Shopee, tirado a espanhol (fajuto), voltou a aprontar essa semana. Nervoso com a nota da Sombra da semana passada, esbravejou com uns comparsas sobre quem estaria levando as denúncias contra ele às autoridades. Na verdade, os homens de preto já estão atrás dele e de seus mentores há um tempinho. Traquinagem no Judiciário e ostentação pesada chamaram a atenção da turma. Agora só resta comer a paella azeda com carne de porco vencida, porque, logo logo, estará em uma dieta “xadrilena” na Mata Escura.

Quem tem medo de Mansur?
O nome que o mercado fingia pronunciar só em São Paulo agora ecoa no Horto, na Barra, na Graça e no Corredor da Vitória. João Carlos Falbo Mansur, fundador da Reag, que assinou delação e mandou o pacote à PGR. Ele já circulou pela Carbono Oculto e Compliance Zero. Na Bahia também se falou no consórcio da pandemia e nos respiradores que voltaram ao STF. E o mapa da corrupção ainda tem personagens na iminência de aparecer na delação. Tem playboys soteropolitanos que se apresentam como empresários, trocavam o jantar no Horto pelo pôr do sol na Barra, o copo na Graça pelo lobby do Corredor da Vitória, e um dia acordaram sócios, cotistas e “parceiros” de estrutura que Mansur administrava. A Bahia já estava no dossiê. Os playboys fingiam que não. Mas quem tem medo de Mansur não é quem já saiu no jornal. São eles: os playboys.

O 'omissis' taradão do TJ-BA
Quem pensa que o crachá do Poder Judiciário serve de blindagem para constranger ou assediar nos corredores pode começar a recalcular a rota. A Corregedoria do tribunal abriu uma verdadeira ofensiva contra condutas abusivas na Corte. Em uma tacada só, portarias em série colocaram a lupa sobre denúncias encaminhadas pelas Comissões de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual. O caso mais explícito mira um alvo, devidamente sob o sigilo provisório do "omissis", investigado formalmente por conduta que pode configurar assédio moral e sexual, além de violação expressa aos deveres funcionais e à Lei de Organização Judiciária da Bahia. As apurações já estão sob a presidência de magistrados auxiliares, com prazo cravado de 60 dias para a entrega dos relatórios conclusivos. O recado que ecoa pelos corredores é direto para quem acha que autoridade ou cargo impõe silêncio: a blindagem caiu e ninguém está acima da caneta disciplinar.

Soluço Financeiro
A promessa era limpa demais para ser silenciosa: 2,25% a 3% ao mês, baixo risco, restituição integral no contrato. Cliente de alto poder aquisitivo. Capital gordo. Às vezes, mais de R$ 850 mil numa só cota. A fintech vendia certeza. O primeiro semestre de 2026 vendeu o contrário. Março, abril: o rendimento atrasou. Depois sumiu. Quem pediu o resgate bateu na porta e encontrou tranca. O dinheiro aplicado ficou do lado de lá. Do lado de cá, um aditivo. Uma confissão de dívida. A Sociedade em Conta de Participação viraria Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, sem consulta, com cláusula nova e garantia velha revogada. Em seguida, o papel mais cínico da temporada: transformar a dívida em cota de fundo sem prazo e pedir 120 dias sem Justiça e sem polícia. Centenas de reclamações. Processos. Boletins de ocorrência. A palavra que os clientes passaram a usar sem rodeio: calote. A que pediram à polícia para investigar: estelionato. A que paira no corredor dos grupos de WhatsApp: pirâmide. Quem entrou pelo rendimento fixo saiu pelo rendimento zero e não fica mais, só lembra do refrão musical: “dime mai mai”. Uma turma bem desfilada da cidade está entre os “iludidos”. Tem gente sem dormir da Vitória a Busca Vida.

Sem paternidade
O caso das mulheres seminuas na caminhada de ACM Neto em São Cristóvão foi a polêmica da semana no cenário político baiano. O que mais chama atenção é o silêncio do candidato ao governo da Bahia diante de uma pauta que se tornou extremamente delicada. O deputado Penalva não teve escolha e precisou isentar o líder da oposição de qualquer participação na patifaria. Há até quem fale em “armação”... Hmm... Será mesmo? Já que deu ruim, é melhor jogar para o outro lado... O time não foi nada bom para ACM Neto. E quem foi o autor de tal PROEZA? Nessas horas, ninguém quer assumir a responsabilidade.

Dependência petista
Rui Costa e Jaques Wagner já colecionam decisões do TRE-BA por exagerar na dose presidencial. Primeiro, a Justiça suspendeu uma inserção de TV em que Lula ocupava cerca de 60% dos 33 segundos da peça. Agora, veio outra liminar, desta vez contra inserções no rádio, porque o presidente novamente teria ocupado espaço acima dos 25% permitidos para apoiadores.
O sumiço de Geraldinho
O vice-governador e candidato à reeleição Geraldo Júnior está discreto nessa eleição. Não se vê, não aparece e não fala. Mergulhou total, numa postura totalmente diferente de eleições anteriores. Está focado 100% na eleição de seu filho, Matheusinho. Estamos de olho.

Ausência confirmada
A Câmara Municipal de Salvador teve suas atividades impactadas pela eleição. Os governistas têm deixado suas funções na casa legislativa em segundo plano para trabalhar com suas bases em prol de ACM Neto. Isso todo mundo já sabe. Agora, o que é feio é gravar vídeo e postar como se de fato estivesse acompanhando os trabalhos na CMS... Vixe, que mico.
Propaganda 0800
O deputado federal Capitão Alden (PL) aprovou ter aparecido na propaganda do PT como candidato "anti-Lula". O parlamentar postou vídeo no Instagram, agradecendo a propaganda gratuita; era realmente não saiu do fundo eleitoral do PL. A turma de Jero precisa ficar atenta: chamar um bolsonarista raiz de "anti-Lula" não é xingamento, é elogio.
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Custo alto
Parece que vai mesmo custar caro para o deputado federal Jonga Bacelar (PL) ter tirado fotos, ostentando o 13, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues. O PL ainda não enviou nenhum tostão ao parlamentar. Em consulta ao sistema do TSE nesta quarta-feira (2), a conta da campanha de Jonga ainda estava zerada, ao contrário de Roberta Roma e de Capitão Alden, que receberam o teto previsto para os deputados federais que disputam a reeleição. Por enquanto, será a disputa do tostão contra o milhão?

Fale mal, mas fale de mim
Para um lobista que vive de vender portas abertas, não existe propaganda ruim. Ruim é a irrelevância. Estar no centro de um relatório da Polícia Federal ou no olho do furacão de um escândalo bilionário só atesta para a clientela que o homem realmente transita, senta à mesa e tem a linha direta de quem manda. A matéria pode até ser ácida, o contexto indigesto, mas o recado de poder foi dado: o acesso existe e o prestígio opera no topo. A vaidade, no entanto, tem lá seus limites inegociáveis. Se a manchete negativa não abala a reputação de quem vive dos bastidores, o mesmo não se pode dizer da estética. Em plena era pós-Mounjaro e Ozempic, com silhueta devidamente ajustada e novo figurino, desenterrar foto de arquivo dos tempos em que a balança pesava contra beira a maldade editorial. Falar mal do esquema faz parte do jogo, mas estragar o visual na foto é golpe baixo demais para quem faz questão de sair sempre bem na fita.
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