Política
Representantes do governo de Donald Trump se encontraram, na terça-feira (6), com técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Durante o encontro, os norte-americanos defenderam que as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como grupos terroristas.
Os representantes de Trump defenderam que, se designadas como sendo grupos terroristas, haveria sanções mais rigorosas contra a atuação destes grupos. Entretanto, pela legislação brasileira, o PCC e o CV não podem ser chamados de terroristas, devido às definições estipuladas na Constituição Federal.
Nos Estados Unidos (EUA), as definições são mais amplas, o que permite classificar grupos ligados a violência organizada e ao tráfico internacional de drogas como sendo terroristas. Nesses casos, o sistema penal norte-americano é mais rigoroso. A gestão de Trump tem buscado classificar grupos criminosos latio-americanos como sendo terroristas, de acordo com o que prevê a legislação dos EUA, como forma de agir com mais severidade contra a atuação destas facções em solo norte-americano.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin, os Estados Unidos têm quatro motivos para querer classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O primeiro é a expansão das operações para além das fronteiras brasileiras. O segundo motivo refere-se a violência do grupo, que já promoveu assassinatos e atentatos, que se enquadram como atividades terroristas.
O terceiro motivo apresentado pelo internacionalista é a infiltração dessas facções em outros países, onde têm se filiado a grupos criminosos internacionais. Já o quarto motivo é explicado pela busca em facilitar sanções e ações para coibir a operação desses grupos, promovendo uma cooperação internacional contra esses criminosos.
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