Política

Saiba como foi o passo a passo da tentativa de sequestro de Moro pelo PCC

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, em meados de 2022 integrantes do PCC deram início ao plano  |   Bnews - Divulgação Marcelo Camargo / Agência Brasil

Publicado em 24/01/2025, às 07h17   Rebeca Santos



Uma investigação da Polícia Federal na Operação Sequaz revelou a ordem do plano articulado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para sequestrar o ex-juiz Sergio Moro.

Segundo investigações da PF, foi descoberto o planejamento através do depoimento de um ex-integrante da facção. Na última quarta-feira (22), a Justiça Federal no Paraná condenou oito integrantes da organização criminosa que participaram da tentativa de sequestro.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, em meados de 2022 integrantes do PCC deram início ao plano. Em 20 de janeiro daquele ano, uma integrante de nome Aline alugou um apartamento em São Paulo.

Em 30 de maio de 2022, Janeferson Gomes Mariano, o Nefo, pediu a Aline a execução de um “trabalho responsa”. A tarefa seria obter informações e dados sobre Sergio Moro. Nefo, morto na cadeia após o plano se tornar público, é apontado como o líder da empreitada que mirava Moro, segundo informações do Metrópoles. 

O motivo do sequestro planejado pelo PCC seria ações do ex-juiz como ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Entre elas, a transferência de lideranças da facção para o sistema prisional federal e a proibição de visitas íntimas nesses estabelecimentos penais. Em 31 de maio de 2022, Aline manda mensagem para um celular que seria de Nefo.

“Amor, deixa eu te perguntar? Eu poderia me programar pra ir pra Curitiba dia 01, o que você acha?”, disse. “Sim, veja já flat etc. Locar p dias (sic). E meter marcha”, respondeu o contato.

Em 4 de junho, em nova conversa, Nefo manda para Aline os códigos que seriam utilizados para se referir ao plano. “MS – México. Moro – Tokio. Sequestro – Flamengo. Ação – Fluminense”, enviou Nefo.

No dia 23 de junho, Aline viaja para Curitiba. Cerca de um mês depois, em 26 de julho, o grupo compra um veículo Mercedes Benz ML 500, que passou a ser chamado de “cofre, e seria utilizado no plano contra Moro.

No mês de agosto, no dia 24, um integrante do grupo liga para uma imobiliária em busca de um imóvel em Curitiba. Já em setembro, o contrato de aluguel de um apartamento na cidade é formalizado. O aluguel, diz a denúncia, foi de R$ 1,8 mil.

Em 6 de setembro, o grupo aluga outro imóvel na cidade. Dessa vez, uma casa em um bairro próximo a uma saída para rodovias. Depois de 1 mês, em outubro, Aline salva em seu notebook várias imagens de Moro e de seus familiares.

“Registra-se, por oportuno, que o levantamento da vida do ex-ministro e então candidato a senador ocorreu entre os dois turnos das eleições de 2022”, diz o MPF. No dia 21 de outubro, Aline salva printscreen no qual descreve as características do local de votação de Moro. Entre elas, entradas de acesso, localização de câmeras de segurança, guaritas e vigias e rotas de fuga

Em 28 de outubro, membros do grupo alugaram um novo imóvel em Curitiba. No mês seguinte, os investigadores identificaram a compra de duas camas de solteiro, suspeitando a continuidade das atividades do plano.

Ainda em novembro, Aline aprofundou a coleta de informações sobre Sergio Moro. Com os dados obtidos, ela elaborou um relatório detalhado, que também foi registrado em uma anotação com o título “Sérgio Fernando Moro”. Aline chegou a compartilhar uma foto desse documento com outros integrantes do grupo.

No dia 13 de dezembro, Nefo solicitou a Aline o envio de informações detalhadas, pedindo “aquele relatório que você tinha, aquele primeiro que você mandou, o segundo, os endereços, se tiver foros, foto do apartamento, foto da menina, tudo o que você tiver”.

Após essa solicitação, em janeiro de 2023, outro integrante do grupo retornou a Curitiba para dar continuidade às “diligências em relação ao alvo”. Nesse mesmo período, uma mulher ligada ao grupo tentou alugar uma chácara na Região Metropolitana de Curitiba.

Em fevereiro, o grupo  continuou o  monitoramento de Moro e seus familiares. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), mesmo após o fracasso dos planos iniciais de sequestro, a organização criminosa manteve uma estrutura organizada e com divisão de funções para concretizar o plano.

No mês seguinte, em março, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sequaz, resultando na prisão dos membros do PCC envolvidos no plano.

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