Política
por Analu Teixeira
Publicado em 14/05/2026, às 21h02 - Atualizado às 23h07
O empresário Saul Klein, filho do fundador da Casas Bahia, virou réu na Justiça de São Paulo por crimes relacionados à exploração sexual de mulheres e adolescentes. A decisão foi assinada na última segunda-feira (11) pela 2ª Vara Criminal de Barueri e segue sob segredo de Justiça.
Além de Saul Klein, outras sete pessoas também passaram a responder ao processo. Entre as acusações aceitas pela Justiça estão participação em organização criminosa, favorecimento da prostituição e exploração sexual, incluindo casos envolvendo menores de idade, além de tráfico de pessoas.
Segundo a decisão judicial, depoimentos colhidos ao longo da investigação apontam para uma suposta estrutura organizada de aliciamento de mulheres e adolescentes por meio de falsas promessas de trabalho em eventos, ações promocionais e modelagem.
Ainda conforme os autos, as vítimas eram recrutadas, em muitos casos, pelas redes sociais e levadas para flats e propriedades ligadas ao empresário. Os relatos mencionam pagamentos em dinheiro, controle do ambiente, presença de seguranças, além de imposição de comportamentos durante os encontros.
Uma das vítimas afirmou ter frequentado os locais entre 2011 e 2013 acreditando participar de “eventos de showroom”. Segundo o depoimento, ela recebeu uma proposta ligada a uma suposta agência de eventos na casa de “um cara rico tipo um príncipe”.
“Não podíamos nem mexer no celular. Tínhamos que sorrir o tempo todo e focar 100% da atenção para ele”, relatou a vítima, conforme trecho citado na decisão.
O juiz responsável pelo caso afirmou que os relatos reunidos apresentam um “quadro probatório minimamente consistente” sobre a possível existência de uma estrutura voltada ao aliciamento e exploração sexual de mulheres e adolescentes.
Em nota, o advogado Alberto Zacharias Toron, responsável pela defesa de Saul Klein, afirmou que a decisão afastou acusações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à escravidão.
A defesa também argumenta que as relações investigadas ocorreram de forma “livre e consensual”, dentro da dinâmica conhecida como “sugar daddy” e “sugar baby”, acrescentando que o tema ainda será aprofundado durante a instrução processual.
O caso ganhou repercussão nacional após denúncias exibidas pelo programa Fantástico, em 2020. Em entrevista à TV Globo, vítimas relataram sentimentos de “alívio” e “esperança” após a nova decisão da Justiça.
“Transformar o abusador em réu mostra que nossas vozes foram ouvidas”, afirmou uma das mulheres.
A advogada Gabriela Manssur, que atua na defesa de mais de 20 vítimas, declarou que o recebimento da denúncia representa uma importante resposta institucional às mulheres que tiveram coragem de denunciar os abusos.
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