Política
A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, voltou a rebater, nesta quarta-feira (26), as críticas do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), à regulação estadual. Em entrevista concedida no início da noite à Itapoan FM, a titular da Sesab questionou a ausência de um hospital municipal na segunda maior cidade da Bahia e contestou a declaração do gestor de que cerca de 700 pacientes feirenses teriam morrido enquanto aguardavam por um leito na regulação.
Roberta comparou a situação de Feira de Santana, que tem cerca de 600 mil habitantes, com a de municípios de menor porte que possuem ou estão construindo hospitais próprios. “Temos 15 hospitais municipais sendo construídos em municípios de 10 mil, de 20 mil habitantes. Municípios muito menores têm hospital, e Feira de Santana não tem”, afirmou.
A secretária reconheceu que Feira possui uma maternidade que atende também pacientes da região, mas ressaltou que a unidade não substitui a necessidade de um hospital municipal. Ela ainda criticou a escolha da prefeitura por implantar uma unidade por meio de parceria público-privada (PPP), modelo que, segundo ela, levará mais tempo para entregar novos leitos à população.
“Aí lança um hospital, leva 26 anos como prefeito, não constrói um hospital municipal e agora escolhe um modelo que é inovador, que é parceria público-privada”, declarou. Roberta também questionou o tamanho previsto para a unidade, de 110 leitos, e fez uma comparação com Itabuna. “Itabuna tem um hospital municipal de 240 leitos”, disse.
Ao abordar diretamente as críticas de José Ronaldo à regulação, Roberta afirmou que o município também possui responsabilidades dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e questionou a oferta de leitos pela gestão municipal.
“O que incomoda bastante é que ele tem batido muito e a oposição tem utilizado a regulação. Que direito ele tem de bater na regulação se não oferta um leito para o paciente deitar na regulação?”, disparou.
Segundo a secretária, não procede o argumento de que a responsabilidade pela alta complexidade seria exclusivamente do governo estadual. “Nunca foi só do Estado. Isso é pactuado no Sistema Único de Saúde, chama-se gestão plena”, afirmou.
Roberta também voltou a contestar a afirmação do prefeito de que cerca de 700 pacientes em Feira de Santana morreram enquanto aguardavam atendimento pela regulação estadual. De acordo com ela, os números apresentados por José Ronaldo não correspondem aos registros oficiais do sistema.
“Primeiro, é uma informação muito grave que ele colocou. Não confere com os dados oficiais do sistema da regulação, que é gerido hoje pelo Estado. Ponto dois: ele não diz a fonte nem o critério”, afirmou.
A titular da Sesab comentou ainda a informação de que José Ronaldo teria encaminhado os dados ao Ministério Público. Em tom irônico, disse considerar positivo que o órgão possa verificar as informações apresentadas pelo prefeito.
“Eu fico feliz que ele apresentou os dados ao Ministério Público. Eu acho que é lá que ele tem que prestar conta mesmo. E fico feliz que o Ministério Público vai ter como verificar que não confere com os dados oficiais, porque ele tem acesso ao sistema”, declarou.
Roberta acrescentou que a Secretaria da Saúde do Estado ainda aguarda resposta a um ofício enviado à Prefeitura de Feira de Santana solicitando esclarecimentos sobre os números. “Eu continuo sem resposta do ofício que encaminhamos administrativamente, pedindo a ele que apresentasse os dados, o critério e a fonte”, concluiu.
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