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Sesab rebate Bruno Reis e aponta falhas na atenção básica de Salvador

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Em nota, a Sesab aponta que documentos da Prefeitura de Salvador apontam baixa cobertura de atenção básica na capital  |   Bnews - Divulgação Reprodução /Google Street View
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 04/05/2026, às 19h46



A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) divulgou nota para rebater declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmando que as falas não correspondem à realidade da saúde pública da capital. Segundo o órgão, a análise é baseada em documentos da própria Prefeitura e aponta que Salvador ainda enfrenta cobertura insuficiente da atenção básica, o que pressiona as unidades de pronto atendimento (UPAs).

De acordo com a Sesab, o Plano Municipal de Saúde (PMS) 2022-2025 e a versão preliminar do PMS 2026-2029 registram, com dados técnicos e territoriais, problemas que a gestão municipal “tenta negar no discurso”, como vazios assistenciais em áreas periféricas e concentração da rede de média e alta complexidade em regiões mais estruturadas da cidade.

A secretaria destaca que Cajazeiras é um dos exemplos mais evidentes dessas falhas. Os próprios documentos municipais apontam ausência de cobertura adequada em localidades como Águas Claras, Cajazeiras VI, VIII e XI, além de problemas em unidades de saúde, incluindo falta de apoio multiprofissional, dificuldades no acompanhamento de gestantes e falhas no atendimento infantil. Segundo a nota, “não foi o Governo da Bahia que denunciou esta situação”, mas a própria Prefeitura ao registrar esses dados nos planos oficiais.

A Sesab também rebate a afirmação de que a regulação estadual seria responsável pela superlotação das UPAs. Para o órgão, “a superlotação não começa no Estado. Começa quando a rede municipal não cobre adequadamente o bairro, não acompanha a família, não garante exame, não oferece consulta em tempo oportuno e deixa a população buscar a urgência como primeira resposta”. A secretaria acrescenta que a regulação estadual “organiza o acesso aos serviços disponíveis” e “não substitui a atenção básica que algumas Prefeituras muitas vezes deixam de estruturar na escala necessária”.

Ainda segundo o PMS 2026-2029, a rede de média e alta complexidade está concentrada em bairros como Barra, Rio Vermelho, Brotas e Centro Histórico, enquanto regiões como Cajazeiras, Boca do Rio e Subúrbio Ferroviário apresentam baixa oferta local. O documento também aponta fragilidades na atenção à infância, indicando que “três causas concentram mais da metade das internações por condições sensíveis à Atenção Primária”: infecções de pele e tecido subcutâneo (20,78%), pneumonias bacterianas (17,54%) e bronquites (17,17%). O próprio texto ressalta a necessidade de reforçar ações preventivas e qualificar o manejo de doenças respiratórias e infecciosas.

A cobertura de Agentes Comunitários de Saúde também é citada como insuficiente. Salvador passou de 27,83% em 2015 para 31,66% em 2024, crescimento considerado lento pelo próprio documento. A Sesab compara com outras capitais, como Fortaleza, Belo Horizonte e Recife, que apresentam índices significativamente maiores. Segundo a secretaria, o agente comunitário é essencial por realizar busca ativa, visitas domiciliares e acompanhamento territorial, e Salvador ainda possui menos de um terço dessa cobertura.

A nota também compara a estrutura da rede municipal com a de Fortaleza, destacando que, apesar de populações semelhantes, a capital cearense mantém 10 hospitais e maternidades municipais, enquanto Salvador possui dois hospitais municipais e inaugurou sua primeira maternidade apenas em 2026, após 13 anos.

Outro ponto levantado é a presença do Estado na região de Cajazeiras, onde, segundo a Sesab, há quatro unidades estaduais: Hospital Eládio Lasserre, Maternidade Albert Sabin, Unidade de Emergência Cajazeiras e Instituto Couto Maia. Em contraste, a Prefeitura não mantém nenhuma UPA na área. Em toda a capital, o Estado opera 39 unidades, incluindo 16 hospitais e seis maternidades. A secretaria também observa que o Hospital Municipal de Salvador não atende pacientes por demanda espontânea na emergência.

Ao final, a Sesab questiona as declarações do prefeito e afirma que os próprios documentos municipais contradizem o discurso oficial. “Se a rede municipal funciona tão bem, por que os documentos da Prefeitura mapeiam vazios assistenciais, citam unidades com falhas e admitem que distritos populosos têm baixa oferta local de serviços?” Também questiona: “por que uma capital como Fortaleza sustenta uma rede municipal muito mais robusta, enquanto Salvador ainda depende de forma tão intensa do Estado?” Segundo a secretaria, “a resposta está nos próprios documentos que o prefeito prefere transformar em silêncio”.

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