Política
por Rebeca Santos
Publicado em 18/12/2025, às 06h28
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, negou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) vá deixar o cargo de líder do governo no Senado.
Um ministro criticou o senador pela forma como conduziu o projeto de lei da Dosimetria, que diminui as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outras pessoas condenadas por atos golpistas, mas afirmou que ele não será afastado do posto.
“Não, isso não está em discussão. Jaques tem confiança no governo, mas foi um erro”, disse ao Globo.
Wagner explicou que fez um acordo para permitir que o projeto da Dosimetria avançasse na tramitação. Ele assumiu a responsabilidade pela negociação, depois que a ministra negou publicamente qualquer acordo relacionado ao tema.
Em troca, ele conseguiu apoio para acelerar outro projeto importante para a equipe econômica, que reduz incentivos fiscais e aumenta impostos sobre apostas, fintechs e juros sobre capital próprio. Esse projeto também foi aprovado pelo Senado.
Depois da aprovação do projeto da Dosimetria no Senado, Gleisi criticou a atuação de Wagner e anunciou que o presidente Lula vai vetar a proposta.
Em resposta, o senador disse que a ministra faz “um debate raso e superficial”.
“A redução das penas de Jair Bolsonaro e demais golpistas, aprovado agora à noite no Senado, é um desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na legislação que protege a democracia. A condução desse tema pela liderança do governo no Senado na CCJ foi um erro lamentável, contrariando a orientação do governo que desde o início foi apresentada à proposta. O presidente Lula vetará esse projeto. Condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes”, disse nas redes sociais.
Wagner reclamou que a divergência foi discutida pelas redes sociais.
"Lamentável é nos rendermos ao debate raso e superficial. É despachar divergências de governo por rede social".
Com a aprovação do projeto, o PT e o PSB entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a medida.
O projeto começou a tramitar ainda em 2024, na Câmara dos Deputados, a partir de propostas da oposição que defendiam anistia ampla para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Ele avançou ao mesmo tempo em que o STF julgava a trama golpista.
As primeiras versões do texto previam perdão para crimes que iam além dos atos golpistas e poderiam beneficiar até parlamentares investigados por participação em ações antidemocráticas, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Por causa da resistência interna e do risco de questionamentos na Justiça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou o relatório para o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
Com bom relacionamento no STF, o parlamentar mudou a proposta: trocou a anistia por alterações técnicas no cálculo das penas, conhecidas como dosimetria penal.
O texto aprovado na Câmara, porém, estendia os benefícios para além dos crimes do 8 de janeiro, mudando regras da Lei de Execução Penal que valem para outros delitos, inclusive crimes com violência ou grave ameaça.
Ao chegar ao Senado, a proposta recebeu críticas por abrir possibilidade de favorecer condenados por vários tipos de crimes.
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