Política

UFBA reage a ato de Renan Santos após declarações sobre “chacina” e “banho de sangue” em comunidades periféricas

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UFBA esclarece que ato de campanha de Renan Santos (Missão) não tem relação com a universidade e ocorreu em via pública, sem sua organização.  |   Bnews - Divulgação Reprodução / BNews - Redes Sociais
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 29/09/2026, às 16h10



A Universidade Federal da Bahia (UFBA) se manifestou sobre o ato de campanha do candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, realizado no último domingo (27), em frente à Reitoria, no bairro do Canela, em Salvador.

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Em nota divulgada nesta terça-feira (29), a instituição afirmou que a manifestação não possui qualquer relação com a universidade. Segundo a UFBA, o evento ocorreu em uma via pública, nas proximidades do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), sem participação ou organização da instituição. 

A universidade federal também destacou que a utilização do espaço externo da Reitoria para a realização da atividade política não representa qualquer vínculo entre a manifestação e a comunidade acadêmica.

A manifestação da UFBA ocorreu após o presidente do Partido Missão na Bahia, Davi Pirajá, fazer declarações sobre ações violentas contra comunidades periféricas de Salvador. Durante o ato, Pirajá mencionou o Bairro da Paz e o Planeta dos Macacos, em São Cristóvão, e defendeu a realização de uma “chacina” e de um “banho de sangue” contra integrantes do Comando Vermelho.

Na nota, a Reitoria afirmou que associar o nome da universidade a discursos de violência e à incitação ao crime representa uma ofensa à instituição e aos valores que orientam sua atuação. A UFBA também ressaltou a defesa do debate democrático, da dignidade humana e da vida como princípios que considera fundamentais.

A Universidade Federal da Bahia é uma aposta da nossa sociedade no conhecimento e não na ignorância, no refinamento intelectual e não na rudeza. É, portanto, lugar de formação qualificada, de ampliação de direitos e de valorização da vida”, afirmou a instituição.

A universidade também declarou que manifestações políticas realizadas nas proximidades do Hospital Universitário precisam respeitar pacientes, familiares e profissionais, além de preservar o ambiente de cuidado e proteção.

Assista:

Ministério Público apura declarações

As declarações de Davi Pirajá também chegaram ao Ministério Público da Bahia. A Procuradoria-Geral de Justiça determinou o encaminhamento da notícia de fato para as áreas criminal e eleitoral, após provocação do procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira.

O caso foi encaminhado à Secretaria Processual das Promotorias de Justiça Criminais de Salvador para distribuição a um órgão com atribuição na área. No despacho, a procuradora-geral de Justiça adjunta para Assuntos Jurídicos, Wanda Valbiraci Caldas Figueiredo, registrou que os fatos noticiados podem se enquadrar no artigo 287 do Código Penal, que trata de apologia pública de fato criminoso.

A notícia de fato também foi desmembrada para análise na esfera eleitoral. De acordo com o despacho, as declarações “tangenciam aspectos que podem configurar discurso de ódio (hate speech), atribuído a liderança partidária, no contexto de processo eleitoral”. O trecho foi encaminhado ao Núcleo de Apoio às Promotorias de Justiça Eleitorais do Estado da Bahia (NUEL).

A abertura da apuração não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal ou eleitoral. O procedimento deverá analisar as circunstâncias e o conteúdo das declarações antes de qualquer medida posterior.

Confusão terminou com prisão

Um apoiador de Renan Santos foi preso pela Polícia Militar da Bahia após uma briga com um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo informações divulgadas sobre o episódio. O confronto ocorreu em frente à Reitoria da UFBA e foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais.

Segundo relatos obtidos durante a manifestação, grupos de diferentes posições políticas estavam no local. Uma das testemunhas, Lucas Santana, afirmou que a confusão teria começado após provocações envolvendo integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL).

O relato também aponta que um policial teria sido agredido durante o episódio. As circunstâncias da confusão foram alvo de apuração e os registros em vídeo não mostram necessariamente toda a sequência que antecedeu as agressões.

Assista:

Confira nota da UFBA na íntegra:

"A Universidade Federal da Bahia é uma aposta da nossa sociedade no conhecimento e não na ignorância, no refinamento intelectual e não na rudeza. É, portanto, lugar de formação qualificada, de ampliação de direitos e de valorização da vida. Associar o nome da UFBA a apologias da violência e a qualquer incitação ao crime é uma ofensa tanto à nossa Universidade quanto a todos os que comungam valores democráticos.

Assim, em razão de afirmações equivocadas publicadas em diversos ambientes midiáticos, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) tem o dever de esclarecer que o ato de campanha realizado neste domingo, 27 de setembro, com a participação de Renan Santos e integrantes do Partido Missão, não possui qualquer relação com a Universidade. A manifestação foi realizada em via pública, em frente à Reitoria, nas proximidades do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA).

Durante o ato, foi feita pelo presidente do partido Missão na Bahia, David Pirajá, a defesa de chacinas em bairros populares de Salvador. Sua fala incita à violência e naturaliza a desumanização de comunidades.

Realizado em frente a uma universidade, esse gesto político traz à memória o de fascistas que, outrora, em Salamanca, conclamavam à morte da inteligência. Entretanto, na Bahia, com o apelo direto a um “banho de sangue”, tal gesto ganha contornos ainda mais graves, pois se associa a práticas abjetas que têm vitimado o povo negro e pobre de Salvador.

O debate democrático, o respeito à dignidade humana e a defesa da vida são valores inegociáveis. A reitoria da UFBA repele, assim, qualquer associação do nome de nossa instituição a discursos de ódio, jamais compactuando com a naturalização da violência ou com violações dos direitos humanos.

Enfim, a UFBA conclama as autoridades legais constituídas a tomarem as devidas providências contra práticas abusivas e criminosas neste período eleitoral, lembrando enfim que manifestações políticas, uma vez realizadas nas proximidades de um hospital, precisam respeitar pacientes, familiares e profissionais, zelando pelo ambiente de cuidado e proteção."

Classificação Indicativa: Livre

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