Política

Valdemar admite articulação por golpe e, questionado sobre nova tentativa com Flávio, se irrita: "Sei lá"

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Presidente do PL defendeu anistia aos presos pelos atos de 8 de Janeiro e afirmou que Jair Bolsonaro participaria informalmente de eventual governo do filho  |   Bnews - Divulgação Beto Barata/PL/Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 08/10/2026, às 06h06 - Atualizado às 06h15



O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, admitiu nesta quarta-feira (7) que houve planejamento de um golpe no fim do governo Jair Bolsonaro, mas disse não acreditar que uma articulação semelhante volte a ocorrer caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.

Durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, o dirigente também defendeu a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e afirmou que Jair Bolsonaro participaria informalmente de um eventual governo do filho.

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Valdemar admite planejamento de golpe

Questionado sobre os eventos de 8 de Janeiro, Valdemar Costa Neto afirmou que o planejamento de um golpe não deveria ser considerado crime. Segundo ele, a intenção de uma eventual anistia seria "soltar todos os militares que estão presos injustamente".

"A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime", afirmou o presidente do PL. "Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?".

O jornalista Paulo Germano, apresentador do Timeline, perguntou se Valdemar reconhecia que houve de fato um planejamento de golpe. O dirigente respondeu:

"Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?", pontuou.

'Sei lá' sobre novo plano

Na sequência, Germano questionou quem garantiria que um planejamento semelhante não poderia ocorrer novamente em um eventual governo de Flávio Bolsonaro e perguntou se poderiam "tentar de novo".

Irritado com a insistência no assunto, Valdemar respondeu: "Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais", disse o presidente do PL, encerrando o tema.

Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após ficar à frente do petista no primeiro turno.

Anistia e investigação

Valdemar demonstrou otimismo com a possibilidade de Jair Bolsonaro ser anistiado e deixar a prisão domiciliar em um eventual governo de Flávio. O presidente do PL voltou a afirmar que o ex-presidente não teria um cargo formal na administração do filho, mas participaria informalmente.

Até o momento, 1.402 pessoas foram condenadas por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe. Desse total, 29 integram os núcleos principais do planejamento, entre eles Jair Bolsonaro e os generais Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, além de Alexandre Ramagem.

O chamado plano "Punhal Verde e Amarelo", localizado pela Polícia Federal nas investigações, previa o assassinato de Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, militares das Forças Especiais chegaram a monitorar Moraes e, em 15 de dezembro de 2022, realizaram uma ação para avaliar a possibilidade de prendê-lo ou assassiná-lo.

O objetivo da trama golpista, segundo a investigação, era criar uma justificativa para impedir a posse de Lula e reverter o resultado eleitoral de 2022.

Bolsonaro teria participação informal

Também durante a entrevista, Valdemar foi questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro receber um cargo em um eventual governo de Flávio após ser anistiado.

O presidente do PL afirmou que o ex-presidente não teria uma função formal, mas daria opiniões sobre a administração.

"Bolsonaro logicamente vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo", respondeu.

Mudanças na Constituição

Valdemar também comentou as declarações de Flávio Bolsonaro durante uma agenda ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), na terça-feira (6), quando o candidato afirmou que promoveria mudanças na Constituição.

Inicialmente, o presidente do PL afirmou que a preocupação de Flávio estava relacionada à "parte tributária", ao excesso de impostos e ao número de ministérios. Em seguida, citou o fim da reeleição como uma das medidas previstas no pacote de mudanças.

"Ele quer acabar com a reeleição", afirmou Valdemar Costa Neto, que também disse considerar a eleição já definida. "Não tem erro."

Impeachment de ministros do STF

Sobre as propostas de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defendidas por senadores eleitos pelo PL e pelo próprio Flávio Bolsonaro durante a campanha, Valdemar evitou afirmar que a medida será adotada.

Segundo ele, o tema precisa ser discutido no Congresso Nacional.

"Isso precisa ser discutido. O ideal para nós era que o Supremo resolvesse os problemas dentro do Supremo, mas é uma pauta que vai ter uma discussão grande. Não vamos resolver nada com guerra, na minha opinião. Temos que ter habilidade de tocar país para frente. Se brigar com Supremo, Legislativo, isso atrasa o país."

Michele Bolsonaro na campanha

Eleita senadora pelo Distrito Federal, Michele Bolsonaro (PL) também deverá participar da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo Valdemar.

O presidente do PL elogiou a atuação da ex-primeira-dama e afirmou que ela deverá percorrer o país durante a campanha.

"Agora ela vai poder andar o Brasil nesse período para trabalhar para o Flávio para valer. Ela tem muito talento, faz muita falta em todo lugar. É uma craque."

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